Barton Fink
O filme mais visceral dos Irmãos Coen pasmem, é fruto do bloqueio criativo que inspirou essa obra. Assim como Paul Thomas Anderson realizou seu Sangue Negro (2007) depois de sofrer com a falta de inspiração e pegar um livro para “brincar” de criar, e talvez tenha feito seu melhor filme. Joel e Ethan Coen usaram a filmografia de Roman Polanski, em especial O Inquilino (1976) para fazer Barton Fink, e conquistar, pela primeira vez na história, os 3 principais prêmios do Festival de Cannes (Palma de Ouro de Melhor Filme, unânime, diretor e ator). É por essas e muitas outras, que o Oscar desse ano promete travar a batalha do século entre dois gênios modernos de uma Hollywood cada vez mais carente. Será uma festa para cinéfilos sem duvidas.
Barton Fink (John Turturro) fica famoso na Broadway com sua obra teatral aplaudida como: “Nenhuma estrela brilhou no palco do Belasco a noite passada, embora os atores tenham se redimido admiravelmente. A descoberta da noite foi o autor deste drama sobre gente do povo” ou ainda “O dramaturgo descobre nobreza em recantos sujos, e poesia no linguajar pobre”. Cobiçado pela Meca do cinema norte-americano, Fink é recrutado por Hollywood para fazer um filme sobre lutadores de luta livre. Contrariado pela pressão criativa da industria cinematográfica, Barton Fink acaba sofrendo com o bloqueio criativo, e para piorar ainda mais sua situação, no hotel onde encontra-se hospedado para ter tranqüilidade para escrever, que mais parece uma filial do inferno, ele conhece o simpático vendedor Charlie Meadows (John Goodman – O John “bom homem”quando aparece nos filmes dos Coen é melhor ter medo).
Seria uma sátira dos irmãos ao cinema norte-americano? Evidente que sim, mas não só isso. Na fala da personagem principal que dá nome a película vem outra alfinetada: “Temos a oportunidade de forjar algo verdadeiro, a partir da vida cotidiana. Criar um teatro para as massas que se baseie em poucas verdades”... Ao mesmo tempo em que discursa, Barton Fink se explicita como um homem que não sabe ouvir. Ou seja, como ele irá contar uma história de pessoas comuns, se é incapacitado de ouvir. Em tempos de greve de roteiristas, o filme é também uma boa explicação para o problema, principalmente na cena final entre Barton e o dono do estúdio, Jack Lipnick (Michael Lerner).
O filme é também paraíso dos que enxergam mensagens subliminares em tudo. O Hotel Earle é visto como o inferno, porque o gerente Chet (Steve Buscemi) aparece pela primeira vez vindo de um assoalho no chão, e Fink se hospeda no 6o andar, e o ascensorista do elevador repete o número 3 vezes lentamente, até chegar lá.
Barton Fink marca a estréia da parceria do diretor de fotografia Roger Deakins com os Irmãos Coen, revelando uma estrutura mais clara e polida da velha cinematografia do film noir, que é à base do cinema de Joel e Ethan Coen.
Comentários
Adoro BARTON FINK tb. Gosto de tudo o que eles fizeram. Não curto muito a fase pós-FARGO. E verei ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ novamente nesta semama numa pré. Eu acho que não peguei alguma coisa... sei lá... talvez eu não tenha entendido. Quando eu vi, a sessão ia começar às 21h, mas começou às 22h30 e o pessoal já estava sem paciência. Atrasou pq era o encerramento da Mostra de SP.
Abs!
Abs!
Vinicius, te indico esse.
Otávio, e vc ainda pode ver Onde os Fracos Não tem Vez duas vezes antes de mim? Esse filme já vale o Oscar pelo título.
Gostei ainda mais da historinha por trás do filme. Quem diria que do bloqueio criativo surgiria uma obra como essa?
Bela resenha!!
Abraço!!!
Obs: Vou linkar o Museu do Cinema na minha lista de blogs.
parabéns pelo texto...
Obrigado Rodrigo.
Grande post! Quero ver o John Godman bad guy!