27 novembro 2007

Os Donos da Noite

We Own The Night – James Gray – 2007 (Cinemas)

A expressão de Bobby é nervosa e o close no seu rosto é quase um atentado ao pudor. No sofá vemos o porquê daquele olhar, chama-se Amada e sua lascívia é evidente nos olhos e, principalmente, no gesto.

Ao som de Blondie com Heart of Glass, o diretor e roteirista James Gray nos leva aos primeiros frames de uma nova iorque dos anos 70. Além da estética e da disco music, é possível identificar no cartaz promocional lembranças de Serpico (1973) e Um Dia de Cão (1975).

Bobby é interpretado por Joaquin Phoenix, e ele se encontra no meio de dois mundos impossíveis de se conviverem juntos, justamente porque eles se consideram Os Donos da Noite. De um lado seu pai, o experiente policial Bert Grusinsky (Robert Duvall) e seu irmão recém promovido a capitão, Joseph Grusinsky (Mark Wahlberg – melhorando como ator). Do outro lado, seu chefe e quase um segundo pai, o russo Buzhayev (Moni Moshonov), dono da boate El Caribe que Bobby gerencia.

Gray, que já havia dirigido Fuga para Odessa (1994) e Caminho sem Volta (2000), com Wahlberg e Phoenix, nos entrega um filme policial dos tempos áureos de Hollywood. Não só na estética, que alias recria uma NY perfeita, mas na trama que lembra o bom Don Siegel, quando filmes policiais significavam muito mais que pancadaria e tinham um roteiro inteligente e verossímil por trás.

Ah, já ia me esquecendo, Amada é interpretada pela atriz Eva Mendes, uma norte-americana com raízes cubanas que transpira sensualidade, e por quem a câmera de James Gray se apaixona.

14 comentários:

Otavio Almeida disse...

É isso aí, Cassiano! Filmaço que os americanos não deram a mínima! Joaquin Phoenix é um monstro!!!!

Abs!

Museu do Cinema disse...

Não sabia disso Otávio, para mim o filme foi sucesso por lá tb, mas isso só demonstra o quanto os norte-americanos ficaram chapados com tantos filmes descerebrados.

Kamila disse...

Ninguém deu a mínima para esse filme, infelizmente. Mas, é bom ver o grupo de blogueiros cinéfilos reconhecendo o valor de "Os Donos da Noite", que é um verdadeiros filmaço.

Museu do Cinema disse...

Que bom então, filme de boca-a-boca é sempre bom!

Kamila disse...

Exatamente, Cassiano, um foi passando a dica ao outro.

Ramon Scheidemantel disse...

Já estava ansioso para assisti-lo. Com essa resenha, então... parece um poema! hehe!

Um dia de Cão é bom demais!

A Eva Mendes, sob a perspectiva dessa câmera está uma digna musa noir!

Museu do Cinema disse...

Ramon, corra para ver. É muito bom, os velhos policiais dos anos 70.

Gostei da observação. Acho que a foto em P&B deu essa dimensão noir mesmo!

Rogerio disse...

Wahlberg e Phoenix juntos, noooosssa. Esse vale a pena ir no cinema. Pena que nao chegou por aqui ainda.
Bela resenha.

Museu do Cinema disse...

Valeu Rogério!

Otavio Almeida disse...

Pq um filme desse não tem chance no Oscar????? Devo perder a fé nos prêmios???????

Kamila disse...

Otavio, não perca fé no Oscar. Perca a fé nos jornalistas norte-americanos que ignoraram solenemente o filme e, como o Cassiano já disse, são eles que mandam no Oscar. Os filmes que eles querem serão os lembrados.

Museu do Cinema disse...

Concordo com a Kamila, e como já disse, o Oscar precisa urgentemente mudar sua forma de indicar os filmes.

Acho que se continuar assim, o público, os cinéfilos, vão acabar realmente perdendo a fé como disse o Otávio.

Eu mesmo confesso que perdi!

Kamila disse...

Cassiano, não sei se teríamos mudanças na maneira de indicar os candidatos ao Oscar. Mas, acho que a Academia deveria prestar mais atenção na qualidade dos filmes, ao invés de se focar no oba-oba, nas propagandas.

Museu do Cinema disse...

Olha Kamila, eu me lembro quando essa coisa da propaganda começou a ganhar espaço na midia, principalmente com a Miramax, e eles bateram tanto que hj, são eles, a midia quem manda. E agora, quem vai bater neles?