28 novembro 2007

Invasão de Domicílio

Breaking and Entering – Anthony Minguella – 2006 (DVD)

Nosso sentimento a respeito de nós mesmos, nosso modo de agir é diretamente afetado pelo espaço ao nosso redor. A decoração exterior de nossa cidade é tão importante quanto a interior.

Anthony Minguella é um cineasta peculiar. Ele não tem um estilo, uma grife, que logo se perceba se tratar de um filme seu. Sua forma está no conteúdo. Um roteirista de mão cheia, um romancista detalhista e sofisticado. Um diretor de uma sensibilidade aguçada. Foi assim com a obra-prima O Paciente Inglês (1996) e no ótimo O Talentoso Ripley (1999). Nascido na Inglaterra, Minguella foi alçado ao estrelato com o papa Oscar O Paciente Inglês (1996), seu terceiro filme, ai veio o sucesso comercial de Ripley, na melhor adaptação do famoso best-seller, e o mundo se preparou para Cold Mountain (2003) ser a sua nova Monalisa. A decepção foi geral e a academia o ignorou, seguindo a tendência dos críticos.

O que nos leva a Breaking and Entering (sei que vou ser chato, mas o título nacional é ignorante, de gente que só viu o horroroso trailer), um maravilhoso romance carregado de personalidade, coisa que Hollywood não vê há alguns distantes anos.

Um arquiteto, papel de Jude Law – ator preferido do cineasta, que tenta reconstruir um bairro marginalizado de Londres, começa a sofrer com repetidos assaltos. Cansado da falta de providências das autoridades, ele fica de tocaia e descobre a identidade do assaltante, um adolescente bósnio que perdeu o pai na guerra civil de seu país. Na intenção de tentar reassocializar o jovem deliquente, o arquiteto se aproxima da mãe do adolescente, uma costureira carente, papel da bela Juliette Binoche – musa de Minguella.

É a lei da relatividade de Einstein. Relativamente falando, se eu ou o Sandy violarmos a lei vamos arrumar um bom advogado. Os caras que entraram aqui vão direto para cadeia. Não tem escapatória. É uma lei para nós, e outra para eles.

10 comentários:

Ramon Scheidemantel disse...

Cassiano, apesar de não ter resenhado esse filme com tanto carinho como você, concordo com que o filme é carregado de personalidade.
Ele é interessante, mas não consegui gostar tanto assim.
Eu já prefiro Cold Mountain do que Breaking and Entering (Não éis chato, não. Massacra esses péssimos títulos em português!).

Museu do Cinema disse...

Eu não gostei de Cold Mountain, achei um filme feito para ganhar Oscar. Mas esse eu gostei.

Kamila disse...

Cassiano, que texto belíssimo. Adorei a maneira como você descreveu o trabalho do Anthony Minghella.

Não estava tão curiosa assim para assistir a este "Breaking and Entering", mas fiquei com vontade depois de ler o que você escreveu.

Museu do Cinema disse...

Obrigado Kamila, acho que vale a pena conferir esse filme.

Vinícius P. disse...

Odiei esse filme, se brincar vai para os dez piores do ano. Considero uma versão piorada de "Crash". Claro que minha opinião é isolada, mas o filme foi bastante decepcionante em relação ao que o Minghella já fez.

Museu do Cinema disse...

Radical demais sua opinião Vinícius, não acredito que coloque esse filme nos piores do ano em comparação a inúmeras outras bombas caça niqueis por ai.

Rogerio disse...

Sinceramente ainda procuro os motivos de nao ter gostado desse filme. Algo ficou estranho pra mim.
Como ja comentei no post do Ramon, acho que nao me sensibiliei com a situaçao dos servios. Pra mim, bandidinho é bandidinho, e quem educa é responsável.

Isso me irritou um pouco no filme.
Alem disso o personagem do Jude Law era bonzinho demais, nao acredito nessas coisas.

Visao pessimista do mundo mas, é a minha.

Apesar de td, bela resenha sobre o Minghella,abs.

Museu do Cinema disse...

É Rogério, vc fez uma crítica interessante, talvez tenha esse lado pessimista da humanidade sim, a coisa da lei, é um pensamento completamente diferente do filme, mas nem por isso errado, não tinha pensando nisso.

Rogerio disse...

Pois é Cassiano.
Claro que filme eh filme, mas afinal de contas a arte imita a vida nao eh?

Em nosso mundo, o Jude Law iria fritar o guri se pegasse ele com seu laptop. Claro que estou sendo realista demais, mas realmente nao engoli essa historia.

Lana disse...

Eu gostei do filme mas Cold Mountain é um dos meus filmes favoritos, com uma narrativa linda e um elenco excelente. O tema principal sobre a guerra civil é maravilhoso, recentemente pude vê-lo novamente no Cinemax, um dos melhores filmes que já assisti.