22 outubro 2007

INLAND EMPIRE

INLAND EMPIRE – David Lynch – 2006 (Cinemas)

A atriz Nikki Grace (Laura Dern - linda e na melhor interpretação do ano), casada com um abastado, recebe a estranha visita da bizarra vizinha que foi se apresentar. No meio da conversa a mórbida senhora lhe diz: “Toda ação tem uma reação. E, certamente, haverá conseqüências para ações erradas. Conseqüências negras, e inescapáveis”. Nikki assustada e indignada lhe pede que se retire. Então a estranha senhora desencadeia na atriz a “lembrança futurística” do convite para estrelar o filme maldito On High in Blue Tomorrows.

Dirigido por Kingley Stewart (Jeremy Irons) e estrelado por Nikki Grace (Laura Dern) e Devon Berk (Justin Theroux), On High in Blue Tomorrows conta a história de amor entre Nikki e Devon, o problema é que ambos são casados. O filme é uma refilmagem de um filme polonês que não foi filmado, porque ambos os protagonistas foram assassinados durante a realização da película.

Postrzeganie rzeczywistości aktorki staje się coraz więcej przekręcił zniekształcony jak ponieważ ona znajduje siebie samodzielnie spadający spadanie; ulegający urokowi; zaczynający dla jej kogwiazdy w rewyrabiają Polska produkcja która podobno była przeklinana.
O filme reserva momentos brilhantes e, na minha opinião, essenciais, como a entrevista do casal de protagonistas, para promover o inicio das filmagens, a uma apresentadora sensacionalista, interpretada por Diane Ladd, de Coração Selvagem (1990). Ela tenta arrancar uma bomba dos dois, ao que Devon responde: “Se você procura por algo chocante, Marilyn, eu sugiro que se olhe no espelho”! Ou ainda o assistente do diretor, Freddy (Harry Dean Stanton), que tenta extorquir dinheiro de todo o elenco contando sempre histórias tristes de animais que ajuda.

David Lynch utilizou a mais moderna tecnologia digital. O cineasta mostrou-se deslumbrado com elas, justificado na enorme liberdade dada nas filmagens e pós-produção, e na interpretação dos atores, o que o celulóide não conseguiria. O filme foi rodado sem roteiro, o cineasta criava a cena e rodava. “Acredito na unidade das coisas. Quando há uma primeira parte de algo e uma segunda parte que não tem relação com a primeira, é muito curioso descobrir que no fundo elas têm coisas em comum. É maravilhoso quando isso acontece". Pena que nem sempre isso acontece no filme, que, com um pouco mais de 3 horas de duração, chega a ser cansativo e desconexo (para quem não entende polonês então...), mas se você passar por essa prova de resistência, provavelmente ficará fascinado algum tempo depois.

INLAND EMPIRE é recheado de participações especiais; William H. Macy, Julia Ormond, Mary Steenburgen, Nastassja Kinski, Laura Harring e a voz de Naomi Watts num seriado protagonizado por atores usando máscaras de coelhos. A trilha, como de costume nos filmes de Lynch, é uma extensão do estilo do diretor norte-americano, Beck com sua Black Tambourine surge nos créditos iniciais, The Loco-Motion dão o tom sessentista na voz de Little Eva e Nina Simone com a extraordinária Sinnerman encerra o filme com direito a dublagem e uma dança horrorosa. As composições da trilha incidental são do próprio cineasta, que também assina a direção, o roteiro, a produção, a fotografia, a edição, a edição de som e atua também como operador de câmera.

I'll show you light now. It burns bright forever. No more blue tomorrows. You on high now, love.

* O título se refere a uma área residencial, pouco habitada, na divisa entre Los Angeles e o deserto californiano – San Bernardino, Chino, Ontario e outras cidades, que são denominadas de "Inland Empire". A tradução nacional usa mais uma vez a palavra sonho, e eu me recuso a repeti-la.

13 comentários:

Kamila disse...

Muito curioso este post sobre "Inland Empire", um filme que foi assistido por pouquíssimos, seja no Brasil ou em qualquer parte do mundo.

A imagem que tenho desse projeto é a do David Lynch se empenhando pessoalmente para tentar fazer com que o filme pudesse ser visto. O que é uma coisa notável em se tratando de um diretor cuja visão sempre é muito criticada, porque poucos entendem.

De qualquer maneira, espero que eu tenha a oportunidade de assistir ao filme futuramente.

Ramon Scheidemantel disse...

Ihh, Cassiano. Filme sem roteiro, para mim, é arte underground.
E esse trecho do seu post me desmotivou:
"... pouco mais de 3 horas de duração, chega a ser cansativo e desconexo".
Por enquanto não está na lista, apesar de se tratar de uma obra bem falada.

Museu do Cinema disse...

Kamila, é um filme dificil, além do estilo do próprio Lynch.

Olha Ramon, eu fui ver como fã, te confesso que muitas vezes quase desisti, coisa que nunca fiz, mas ao final das 3h e 20m, as imagens ficam voltando a sua cabeça, e vc fica com vontade de discutir o filme de novo. A minha dica é, se quiser ver e não é fã, espere o dvd, ali vc poderá usar o botão forward.

Romeika disse...

Pelo que eu entendi, vc até gostou do filme, mas não concordou com a extensão do mesmo. Foi isso que eu havia lido, o Lynch se empolgou com a tecnologia digital e prolongou sua idéia por mais de três horas.

Aqui estréia dia 09/11, gostaria muito de ir pq gosto desse cinema meio bizarro e desconexo do cineasta, mas depois que vc disse que o filme é falado muita vezes em polonês fiquei com o pé atrás... A Laura Dern está excepcional, então?

Museu do Cinema disse...

Olha Romeika, eu gosto do Lynch, mas acho que ele exagera um pouco, mesmo assim, seus últimos filmes estavam no limite, nesse ele passou e muito.

Claro que tem cenas maravilhosas, e a interpretação da Laura Dern impressiona bastante, mas todo o cuidado é pouco com esse filme. Essas cenas, e são muitas, totalmente faladas em polonês e sem tradução, depois da primeira vc já enche o saco, e ela volta a se repetir, repetir, reptir...

E a duração também, é demais para um filme desconexo, é prova de resistência mesmo Romeika, eu passei e não me arrependi, acaba valendo a pena, mas o preço é alto, principalmente no cinema que não temos o recurso forward.

Agora essa coisa do filme digital, parece ter caido como uma luva mesmo!

Vinícius P. disse...

Estou bem ansioso por esse filme, ainda que não conheça tanto outros trabalhos do David Lynch - nem achar a Laura Dern aquela estrela que já foi. A trama parece ser bem interessante, adoro esses filmes "alternativos". Pena que não teve tanta repercussão, mas com certeza verei quando chegar aqui.

Abraço!

Museu do Cinema disse...

Vinicius, melhor não esperar repercussão de filmes de David Lynch.

A Laura Dern tá que nem vinho, melhor com o tempo, em todos os sentidos.

Romeika disse...

Se no final vale a pena, acho que darei uma chance ao filme. Então, essas cenas em polonês foram feitas propositalmente sem tradução alguma, até nas exibições nos EUA?

Museu do Cinema disse...

Sim Romeika, só não me pergunte qual a intenção do diretor com isso!

Otavio Almeida disse...

Filmes rodados sem roteiro... n�o caio nessa. Eu sinceramente n�o sei se terei paci�ncia com esse filme de tr�s horas... O David Lynch brinca de fazer cinema.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Olha a polêmica Otávio!

Eu vou em filmes sem roteiro do Lynch, com mais de 3 horas e tudo, em vez de ver muitas bombas que estão ai nos nossos cinemas.

Otavio Almeida disse...

Mas eu vou assim mesmo ver o Lynch! E esse negócio de "bomba" é relativo. Tem gente que já me disse que "DE OLHOS BEM FECHADOS é a bomba da carreira de Kubrick" ou que o "Spielberg só faz bomba". Enfim... parece que INLABNDO EMPIRE estréia de vez aqui em SP na próxima sexta. Estarei lá. E para vc saber, eu gosto de MULHOLLAND DRIVE. Mas prefiro o Lynch bizarro, mas compreensivo de VELUDO AZUL. Entende?

Abs! Bom final de semana!

Otavio Almeida disse...

Nossa... Olha como eu escrevi "Inland Empire". Abs!