04 outubro 2007

Elite Squad

Tropa de Elite – José Padilha – 2007 (Cinemas)

Pra mim quem ajuda traficante é cúmplice, tem que ir pra cadeia”!

BOPE – Batalhão de Operações Especiais – a tropa de elite da PM do Rio. “Se o Rio dependesse só da policia convencional, os traficantes já tinham tomado a cidade faz tempo”.
Todo mundo já conhece a história da pirateagem do filme, portanto vou poupá-los de mais uma. O filme foi baseado livremente no livro homônimo do sociólogo Luiz Eduardo Soares (ex-secretário nacional de segurança) e depoimentos de dois ex-policiais do BOPE, André Batista e Rodrigo Pimentel - esse ajudou ainda no roteiro, o filme tem na trama todas as caracteristicas para ser considerado o novo Cidade de Deus (2002), além da presença de Daniel Resende, como editor, Bráulio Montavani como roteirista e Fátima Toledo como preparadora de elenco. Escrevi em 2005 que precisávamos fazer a retomada do cinema de Cidade de Deus (2002). E esse veio a ser o filme do qual sonhava.
A música do Tihuana, gravada em 2000 serve de pano de fundo, ela fala: tropa de elite osso duro de roer, pega um, pega geral. Também vai pegar você! E é exatamente assim que ela se define, “o símbolo do BOPE deixa claro o que acontece quando a gente entra na favela, e a nossa farda não é azul é preta”.

Duas cenas me marcaram muito em Tropa de Elite, a primeira é na discussão entre os universitários e o policial, quando todos criticam duramente a policia. E a outra é quando em meio a um cenário de guerra, com prédios e casas destruidas, os policiais do BOPE são recebidos a tiros, essa cena poderia muito bem fazer parte de O Resgate do Soldado Ryan (1998). “A verdade é que a paz no Rio depende de um equilíbrio delicado entre a munição dos bandidos e a corrupção dos policiais”.

Agora, juntando as duas cenas eu lhe pergunto: Tem como um policial sério e honesto enfrentar isso eticamente?
Eu precisava de um substituto... Mas quem disse que a vida é fácil?” Sob a ótica do Capitão do BOPE, Nascimento (Wagner Moura – de longe o melhor ator nacional da atualidade), que vai narrando os acontecimentos do dia em que foi pai e que conheceu o policial Neto (Caio Junqueira) e André Matias (André Ramiro). “O Neto era um cara impulsivo, que agia antes de pensar, já o Matias pensava demais, antes de agir”.
A direção do ótimo José Padilha de Ônibus 174 (2002), é segura e criativa – a cena nos morros é de uma realidade crua e impressionante. O treinamento dos atores com reais integrantes do BOPE foi duro, tiveram que comer no chão e passar pelas humilhações verídicas mostradas no filme. Neto foi inspirado, entre outros, na história real do tenente Vega, ex-integrante do BOPE, que caiu em combate por conta da impulsividade. “É por isso que nessa cidade todo policial tem que escolher; ou se corrompe, ou se omite, ou vai para guerra”.

39 comentários:

Wiliam Domingos disse...

Blog muito bacana...vou add nos favoritos ok!?
Cara...
Tropa de Elite está passando por uma fase de censura difícil, a galera vai ter que ficar no lance do baixar da net!
Isto é mais um ponto que me deixa curioso em relação ao filme, qndo a censura se preoucupa é que vem verdade crítica pela frente!
Quero muito ver!
Abraço!
meu cineblog:
http://eco-social.blogspot.com/

Marcus Vinícius disse...

Eu ainda to em dúvida se Tropa é melhor que Cidade De Deus... mas é um BAITA filme: violento, verdadeiro e impactante. Monstruoso o trabalho do Padilha e do Moura. Nota 11.

Pois é tchê, ratiamos em casa de novo! Que coisa, mas agora é ir pra cima do Palmeiras, alentar e seguir na luta. Lembre-se que nada é fácil pra nós, nunca.

Saudações e Abraços!

Romeika disse...

Quero muito ver esse filme (vou ter que baixar), e tenho altas expectativas com relação ao trabalho do Padilha (do qual vi "Ônibus 174" e gostei muito). Essa sua comparação com o filme do Spielberg é correta mesmo, quem vive hj no RJ ou em outra grande capital do Brasil está passando por uma guerra. É uma guerra civil mesmo.

Kamila disse...

Cassiano, acho que interpretações como a sua são as que "Tropa de Elite" deveria receber.

Com certeza irei conferir o filme, já que gosto muito do trabalho do José Padilha.

E assino embaixo do que você escreveu sobre o Wagner Moura. O melhor ator brasileiro do momento.

Rogerio Scheidemantel disse...

Belo texto Cassiano! To doido pra ver esse filme, e depois vou comentar aqui.

Ramon Scheidemantel disse...

A minha opinião já é um pouco diferente: Nem li o texto para assistir o filme ignorando seu conteúdo.
Quando assistir, comento algo.
Abraço!

Museu do Cinema disse...

Obrigado William Domingos. Depois vou dar uma olhada em seu blog.

Marcus, para cima do Palmeiras, mas tem que ir mesmo e jogar bola como na Libertadores.

Romeika, acho que a cena em questão já foi filmada com essa intenção, ali é mesmo um filme de guerra.

Kamila, além de ser baiano, o Wagner fez de uma novela algo bom! Já viu que coisa? E olha que a trama é um buracão só.

Rogério, obrigado, confira mesmo, eu vou aos cinemas rever assim que estrear nos cafundós do Brasil.

Ramon, esperarei seu comentário então. Abs.

Romeika disse...

Acabei de ver o filme (a versão da net) e aquela discussão na universidade entre os alunos e o Matias também me marcou muito. Sem contar com a cena que vc descreveu na favela e o treinamento dos policiais para chegar ao BOPE. É se preparar pra uma guerra mesmo. A importância desse filme é grandiosa, todos devem vê-lo e espero que não demore pra ser distribuído fora do Brasil.

Se o diretor mostrou o lado do bandido em quase uma defesa social do mesmo em seu documentário "Ônibus 174", com "Tropa de Elite" ele mostra o lado dos policiais, que não são mocinhos, e nem poderiam ser, pois não existe maniqueísmo nessa questão. O que ficou claro pra mim é que o grande culpado é aquele que financia o tráfico, aquele que acende um baseado, que cheira pó. É quase uma visão estreita e moralista do diretor, mas considerando as proporções que a guerra contra o tráfico atingiu no RJ, Padilha está mais do que correto em vilanizar o usuário da droga.

Museu do Cinema disse...

É sim Romeika, bela visão, eu talvez acrescentaria os policiais corruptos que "alimentam" o trafico, claro que se pensarmos do ponto de vista "administrativo" da coisa, vc tá coberta de razão!

Aquela cena então quando o Matias começa a espancar o maconheiro "socialista" na passeata contra a violência é ótima.

Kamila disse...

Cassiano, infelizmente, não assisti "Paraíso Tropical", mas já estou sabendo que o Moura e a Camila Pitanga foram o melhor mesmo da novela.

Bom final de semana!

Museu do Cinema disse...

É Kamila, eu tb não vi, só algumas cenas, e o Wagner foi a melhor coisa da novela!

Kamila disse...

Cassiano, aliás, não tem jeito do Wagner ser ruim em alguma coisa. Acho que a atuação que eu menos gostei dele foi no filme "Ó Paí Ó". Achei-o um pouco exagerado ali.

Museu do Cinema disse...

Concordo Kamila! Em Tropa de Elite ele dá show, ouvi até comentários sobre indicação ao Oscar, que eu acho improvavel, mas seria merecido.

Otavio Almeida disse...

Ei, estreou aí? Tô indo ver hoje. Depois te conto. Ótimo texto! E coincidentemente, escrevi lá no blog sobre o mosntro Wagner Moura!

Abs!

Museu do Cinema disse...

A sensação Wagner Moura, vou lá dá uma lida. Abs.

Kamila disse...

Cassiano, muita gente tem falado sobre essa possibilidade. Mas, isto está restrito somente à imprensa brasileira. "Tropa de Elite" ainda não causou impacto lá fora. Talvez, quando o filme estrear por lá, possa se falar mais sobre este ator excelente que é Wagner Moura.

Museu do Cinema disse...

Olha Kamila, há muito tempo eu acredito que as indicações e os vencedores do Oscar são alguns jornalistas que indicam.

Mas como Tropa de Elite será lançado nos EUA com a excelente marca dos irmãos Weinstein (marketing), creio que uma pequena esperança possa existir.

Kamila disse...

Quem sabe, né, Cassiano. Mas, vai ser bem difícil para o Wagner tentar uma indicação porque a gente sabe da dificuldade que é para um ator estrangeiro, em um filme estrangeiro, conseguir uma indicação nas categorias de atuação. Existem as exceções (Sophia Loren, Roberto Benigni, Fernanda Montenegro, Penélope Cruz, Adriana Barrazza, Rinko Kikuchi), mas elas ocorrem somente quando a atuação consegue transcender mesmo essa questão da barreira da língua.

Com o apoio certo, causando a comoção correta, o Wagner tem tudo para alcançar um reconhecimento como esse.

Museu do Cinema disse...

Volto a repetir Kamila, acho que alguns poucos jornalistas é que decidem. Então o negocio é ir neles, e se existe alguém em Hollywood que sabe disso é o pessoal da Weinstein. Eles sabem o caminho das pedras.

Agora é dificil falar, eu pelo menos só vi essa interpretação digna de Oscar. Ouvi comentários sobre Daniel Day Lewis, e por se tratar de um PTA suas chances vão a lua, mas é muito cedo, para mim pelo menos, que não vi nenhum filme ainda, e claro que tb tem o lado brasileiro tb; enfim...

Kamila disse...

Cassiano, realmente, ainda é muito cedo para a gente ter certeza do que irá acontecer no Oscar. Tem muito filme para estrear ainda. E o que a gente acredita que pode acontecer hoje, amanhã pode mudar.

Particularmente, as únicas performances dignas de Oscar que eu vi esse ano, entre os atores principais, foram as de Chris Cooper (em "Quebra de Confiança") e Richard Gere (em "O Vigarista do Ano"). Infelizmente, não acredito que nenhum dos dois esteja na lista final da Academia.

De qualquer maneira, "Tropa de Elite" já começa sua trajetória internacional da maneira correta. Ter o apoio dos irmãos Weinstein é muito importante.

Museu do Cinema disse...

Gostaria muito que o Gere fosse candidato, mas não apostaria nisso Kamila. O Chris Cooper sempre é bom, mas não vi ainda esse filme.

Agora grande parte da interpretação do Gere é por conta do diretor q soube explorar a potencialidade do ator e arrancar uma perfomance maravilhosa.

Romeika disse...

Cassiano, aquela cena da passeata é mesmo impactante. Aliás, quase o filme todo fica difícil de sair da memória da gente, eu ainda fico recapitulando umas cenas aqui e ali...

Museu do Cinema disse...

Isso é que faz um filme bom Romeika, as cenas continuarem na memoria.

Alex Gonçalves disse...

Minha irmã teve a oportunidade de assistir (assim como mais de um milhão de pessoas, a cópia pirata) e disse que nunca mais terá vontade de ver o filme por mais uma vez, tamanho o peso de muitas cenas do filme. Com toda a certeza é uma produção que vou assistir, ainda mais por ser uma produção das mais expressivas na boa fase que o cinema nacional anda percorrendo.

Museu do Cinema disse...

Olha Alex, não é exagero dela, algumas cenas são pesadas para pessoas com estômago mais fraco realmente, mas são carregadas de realidade e crítica social.

Kamila disse...

Isso é verdade, Cassiano. O Lasse Hallstrom fez um baita trabalho com "O Vigarista do Ano". O filme é muito bom.

Museu do Cinema disse...

Concordo Kamila. Para falar a verdade eu nem me lembrava de colocar o Gere entre os indicados desse ano, creio que agora é que começam as especulações mais sérias.

Alex Gonçalves disse...

Eu já estou acostumado com filmes mais barra-pesadas, já que sempre os vi desde a minha infância. Temia de que toda a violência era utilizada inapropriadamente na produção, mas toda a unanimidade me convenceu do contrário. Vejo na próxima semana.

Museu do Cinema disse...

Não perca Alex, o problema é querer ver de novo.

Marcus Vinícius disse...

O problema não foi perder pro Palmeiras, mas sim empatar em casa com o Atl-MG. Até que ficou bonita a briga, vai dar grandes peleias, mas sigo confiante na Libertadores 2008.
Abraço

Kamila disse...

Cassiano, agora, que a maioria dos filmes que irão concorrer de verdade ao Oscar começarão a estrear, as especulações mais sérias começam.

Otavio Almeida disse...

Cassiano, o filme é mesmo fodástico!

Abs!

Museu do Cinema disse...

Marcus, depois dessas discussões e o Grêmio entrar na onde deles, o negócio pegou.

Pois é Kamila, agora é a hora!

Otávio, realmente!

Vulgo Dudu disse...

Olha, eu ainda não vi. Porém, me preocupa muito o discurso que anda atrelado a alguns espectadores. Basta procurar por vídeos do filme no Youtube e ler os comentários. Já vi por lá muita gente dizendo que "o Bope tem que entrar atirando para todos os lados mesmo" e que "favelado tem mais é que morrer".

Isso me deixa mais chocado do que qualquer obra de ficção, ainda mais sendo jornalista e acompanhando esta dura realidade de guerra civil que enfrentamos - além do apartheid social que vivemos.

Assim que vir o filme, comento!

Abs!

Museu do Cinema disse...

Olha Dudu, isso ai vai da cabeça de cada um, e principalmente da lingua, pois quem tem boca fala o que quer.

O filme é violento? Sim! Mas em nennhum momento há apologias, e se ele crucifica alguém são todos os envolvidos, ou seja, os traficantes, os policiais (que vendem armas), os consumidores (que sustentam) e os cumplices.

Pelo menos essa é a minha visão, e não vejo sentido ter outra! Se alguém me apontar onde o filme faz esse tipo de apologia desfaço meu post agora mesmo!

Agora se vc me perguntar, precisa o BOPE ser duro daquele jeito? Eu vou lhe dizer, "É por isso que nessa cidade todo policial tem que escolher; ou se corrompe, ou se omite, ou vai para guerra".

Ramon Scheidemantel disse...

Muito bom o filme. Muito boas as atuações. Direção adequada.
Em particular, não gostei da música do Tihuana ser utilizada no filme. Achei que gerou um clima meio comercial. Mas tudo bem, não é algo que comprometa em nada a qualidade.

GRANDE FILME!

Museu do Cinema disse...

Tropa de Elite osso duro de roer pega um pega geral tb vai pegar vc, é demais Ramon!

Ramon Scheidemantel disse...

Pois é, além de ser comercial a música é descriminatória com o Bope, Garra, Core e outras tropas de elite. hehe!
"também vai pegar você!" é foda!

Museu do Cinema disse...

Não vejo assim Ramon, é só uma música que diz que o BOPE é a última estância!