12 setembro 2007

Não Diga Nada a Ninguém

Ne le dis à Personne – Guillaume Canet – 2006 (DVD)

Existe uma crença, muito divulgada pela Cahiers Du Cinéma, de que filme europeu nunca deveria seguir os passos de Hollywood, ou seja, nunca deveriam filmar certos gêneros. Essa película vem justamente questionar e mostrar que essa verdade está errada. E vou além, com esse inteligente longa-metragem, o cinema francês mostra para a indústria norte-americana que, quando produtores botam a mão na finalização, o resultado é previsível, tanto pro bem como pro mau.

Não Diga Nada a Ninguém é uma obra criativa que preza pela inteligência e densidade do roteiro. Dirigido pelo cineasta francês Guillaume Canet, mais conhecido como o Étienne, o vértice do triângulo amoroso do filme A Praia (2000), a película é baseada no livro homônimo do escritor judeu norte-americano Harlan Coben, contemporâneo e amigo de Dan Brown (veja mais sobre o livro aqui).

O pediatra Alexandre Beck (François Cluzet) ainda se recupera do brutal assassinato de sua esposa, Margot Beck (Marie-Josée Croze – a provocante espiã de Munique (2005)), quando, após 8 anos da morte dela, lê no jornal a notícia da descoberta de dois corpos próximo ao local do crime, e também é surpreendido por um e-mail com um link para um estranho vídeo. Sua amiga, a lésbica Hélène Perkins (a bonita e talentosa Kristin Scott Thomas) é a única pessoa com quem ainda tem contato do antigo círculo de amizades do casal, e será quem lhe ajudará nesse momento. O diretor participa com uma ponta como o cavaleiro Philippe Neuville, e a trilha é repleta de canções consagradas como With or Without You, do U2.

Filmado nos arredores e na cidade de Paris, Guillaume Canet se mostra competente na direção, principalmente nas cenas mais dramáticas, e uma agilidade de vídeo-clipe com uma edição irretocável – a cena do quase atropelamento é impressionante, voltei 3 vezes e revi em slow-motion e ainda não sei como fizeram – mais do que tudo isso, fica evidente a preocupação com a qualidade do roteiro.

14 comentários:

Kamila disse...

Nossa, Cassiano, você tem descoberto cada filme interessante. Mais uma recomendação adicionada à minha listinha.

Museu do Cinema disse...

Sim Kamila, até eu tenho me surpreendido pelos filmes que tenho visto, esse ai mesmo é de cair o queixo pela qualidade da trama e da produção!

Não adicione a lista, veja!

Rogerio Scheidemantel disse...

Umm, discordo do amigo, nao gostei do filme. Acho que a premissa é inteligente, mas a direçao de Cannet nao conseguiu me deixar preso aos acontecimentos. A reviravolta final me pareceu um pouco improvisada e o protagonista nao cativou, com a mesma expressao do inicio ao fim do filme.
Pra mim, salva-se a cena da rodovia e U2.

Abs.

Museu do Cinema disse...

Sério? A direção não consegue deixar preso na trama?

Esperava até uma crítica negativa, mas nunca por isso.

Ramon Scheidemantel disse...

Hehe... gostei do contraponto. O Rogério havia feito um post criticando a película e agora o Cassiano elogia.
Nesses casos, nada melhor que assisti-lo para tirar as próprias conclusões.

Cassiano... você gostou de Rios Vermelhos?

Rogerio Scheidemantel disse...

Opa, seríssimo!! Sinceramente, achei fraco. Apesar de ja ter ouvido elogios até maiores que o teu post por aqui.
Não adianta, não engoli o filme hehe.

Museu do Cinema disse...

Oi Ramon, tb gosto muito dessa contradições, acho importante, apesar de não concordar com o Rogério. Rios Vermelhos é excelente sim, soube até de uma continuação, mas q não vi...

Rogério, acontece realmente, eu gostei muito do filme, achei que hoje vc não tem um filme semelhante em Hollywood, que são (ou eram) craques no assunto.

Ramon Scheidemantel disse...

Rios Vermelhos 2 é bom, mas não tão empolgante quanto o primeiro. De qualquer forma, assista!

Museu do Cinema disse...

Não sei se tenho saco para essas continuações caça-niqueis Ramon, de qualquer maneira vale a dica, quem sabe num dia em que a locadora esteja deserta de filmes ou passar na tv justamente quando estiver vendo...

Kamila disse...

Eu gosto de "Rios Vermelhos" e também nem sabia dessa continuação.

O que eu acho interessante neste post do Cassiano é ver os jovens atores franceses como o Guillaume Canet e o Mathieu Kassovitz (de "Rios Vermelhos") se arriscando na direção e entregando bons filmes.

Museu do Cinema disse...

É sim Kamila, e eu vejo cada vez mais o cinema francês ultrapassando o italiano, o que para mim é uma lástima!

Kamila disse...

Cassiano, concordo com sua afirmação.

Kamila disse...

Cassiano, assisti ao filme hoje e adorei. Concordo com você. A obra preza pelo pleno e correto desenvolvimento do roteiro. Para mim, o filme começou meio lento, mas, na medida em que a história se desenvolvia, fui me envolvendo mais com os caminhos para onde a trama nos levava.

Um belíssimo trabalho do Canet e um dos melhores filmes que eu vi no ano.

Obrigada pela recomendação!

Museu do Cinema disse...

Poxa Kamila, que bom então, espero ler uma resenha em breve no Cinéfila.