02 agosto 2007

Touro Indomável

Raging Bull – Martin Scorsese – 1980 (DVD)

Assim, pela segunda vez, (os fariseus) chamaram o homem que fora cego e disseram: “Diga a verdade diante de Deus. Sabemos que este aqui é pecador”. “Não sei se ele é pecador ou não”, respondeu o homem. “Só sei o seguinte: eu era cego e agora posso ver”.

João IX, 24-26
Novo Testamento Inglês

Esse é o filme de Robert De Niro roubado pelo cineasta Martin Scorsese.

Durante as filmagens de Alice não Mora mais Aqui (1974), De Niro ofereceu ao amigo o livro biográfico do boxeador nova iorquino Jake LaMotta, escrito por Peter Savage, Scorsese, que passava por um processo de desintoxicação, o leu e entendeu rapidamente a obsessão do ator em levar aquilo aos cinemas. O problema é que ele nada entendia de boxe ou qualquer outro esporte, o que se mostrou completamente irrelevante no final das contas, nesse filme que é considerado o clássico dos anos 80.

A vida do boxer LaMotta pode ser dividida em três momentos, o começo, quando a fama do pugilista do Bronx começa a ganhar a cidade e o país, o inicio do namoro e o casamento com Vickie (Cathy Moriarty) e o ciúme obsessivo e a briga com o irmão e empresário Joey (Joe Pesci).

Scorsese escalou para esse filme atores amadores, incluindo ai um Joe Pesci quase desistindo da carreira e que dá um show no filme, e é uma ator soberbo, apenas ofuscado pelo impressionante trabalho do amigo De Niro, essa parceria viria a se repetir em mais dois filmes, Cassino (1995) e Os Bons Companheiros (1990).
A cena inicial, que também ilustra o post, já demonstra o poder das imagens de Scorsese, em câmera lenta, o pugilista se aquece, num clima sombrio, o preto e branco é cortado pelo vermelho do título do filme. O cineasta resolveu optar pelo P&B devido a já haver muitos filmes sobre boxe colorido, pelo menos essa foi a desculpa que o cineasta usou para convencer os chefões do estúdio.
A película recebeu dois Oscar, um para Robert De Niro, incontestável, e outro para a editora Thelma Schoonmaker, também de um trabalho primoroso. Scorsese perdeu para Robert Redford e o seu Gente como a Gente (1980). A trilha sonora, sem nenhuma canção original, ficou marcada pela excelente Cavalleria Rusticana: Intermezzo, composta por Pietro Mascagni.

13 comentários:

Kamila disse...

Acho que um dos maiores equívocos da Academia é ter tirado o Oscar de "Touro Indomável" e do Scorsese neste ano. Eles mereciam muito.

O filme, para mim, é brilhante, seja no sentido de roteiro, direção, atuação; como também na parte da linguagem de cinema. Scorsese meio que fez sua própria revolução aqui.

Um filme que todos deveriam assistir, pelo menos, uma vez na vida.

Keyser Soze disse...

Estou tentando alugar esse filme há tempos. O problema é as locadoras que freqüento não tem.
Quer dizer que Joe Pesci estava quase desistindo da carreira? Muito interessante.

Museu do Cinema disse...

Pois é Kamila, a academia teve diversas oportunidades para premiar um Scorsese incontestavel, mas preferiu dar-lhe o Oscar por um que nem todos concordam, vai entender...

Keyser Soze, pois é, o Joe Pesci tava desistindo da carreira quando apareceu o Scorsese. É a prova que nem só de talento precisa um bom ator.

Bombaata disse...

Realmente está dificil de achar esse filme. Ja vasculhei varias locadoras, mas sem sucesso.
Pra estar em 4 na lista da AFI do melhores do seculo, ja vou imaginando a que vem pela frente

Museu do Cinema disse...

Poxa, que tipo de locadora andam frequentando?

Uma locadora que não tem Touro Indomavel, não merece a alcunha de locadora.

Encontra-se nas melhores lojas do gênero, ou comprem esse clássico numa edição de luxo.

Keyser Soze disse...

É que somos de Santa Catarina. Blumenau e Itajaí. Sabe como, é aqui não tem público com tanto bom gosto, para manter as locadoras com os clásssicos.
A solução é comprar mesmo. hehe!

Kamila disse...

É um absurdo mesmo que um filme como esse não tenha nas locadoras...

De qualquer maneira, uma edição dupla de "Touro Indomável" está à venda nas Americanas, ao excelente preço de 19,90.

Bom final de semana, Cassiano!

Otavio Almeida disse...

Dúvida: a década de 80 vai de 1981 a 1990 ou de 1980 a 1989?

Se é dos anos 80, TOURO INDOMÁVEL é a obra-prima máxima da década!

Cassiano, recebeu meu email de A COR DO DINHEIRO?

Abs! E bom fim de semana a todos!

Museu do Cinema disse...

Sei que é dificil, por aqui tb é, alias, foi tema de um post meu sobre as dificuldades de um cinéfilo.

Kamila, o dvd tá em promoção na americanas, mas tá em falta.

Otávio, para mim a década de 80 é de 1980 a 1989, mas acho que o certo é de 1981 a 1990, ou seria de 1979 a 1989? Vai saber, o fato é que ele é eleito como o melhor filme da década de 80 por alguma associação de crítico. Ah, recebi sua crítica sim, tá muito boa, vc inclusive já formatou para publicação, não devo mudar nada, só acrescentar uma música e uma parábola no final que se não falar nelas vou ficar doido.

Kamila disse...

Eu comprei a minha cópia de "Touro Indomável" nesta promoção da Americanas, Cassiano, por isso que coloquei a sugestão. Não sabia que o filme estava faltando lá.

Otavio Almeida disse...

Legal, Cassiano! Obrigado!

Abs!

Romeika disse...

Esse foi o filme que colocou o De Niro entre os meus atores favoritos. Sem falar que dentre os trabalhos do Scorsese, é um dos que eu mais aprecio. Excelente filme.

Ramon Scheidemantel disse...

Assisti o filme. Sensacional!
Para analisarmos a obra, basta perceber que a vida de Jake La Motta nem é tão cinematográfica. Foi Scorcese que percebeu a pontecialiade em se explorer direção e atuação de atores para se conta essa história.
É realmente uma aula de cinema.

Cenas mais marcantes na minha opinião:
- Explosão furiosa de Joe Pesci na briga no Copacabanas. Alí senti o nascer do personagem de Joe Pesci em Os Bons Companheiros.
- Em todos os sentidos, a cena de Jake (De Niro) preso, socando a parede, enquanto murmurava lamentações é absurda. Uma das melhores do cinema.

Scorcese, De Niro e Joe Pesci juntos... sem comentários!