20 agosto 2007

Kundun

Kundun – Martin Scorsese – 1997 (DVD)

Esse filme rendeu ao cineasta uma proibição permanente de ir ao Tibet.
Foi durante a pré-produção do filme que a mãe de Martin Scorsese, Catherine Scorsese, morreu. Atriz da maioria de seus filmes o filme é dedicado a ela.

Com roteiro escrito pela ex-esposa de Harrison Ford, Melissa Mathison, baseada na vida real do Dalai-Lama, Kundun tem imagens belíssimas, mas peca no enredo e no ritmo do filme, o que sobra em outras obras do diretor nova-iorquino.

A história de vida do 14º Dalai-Lama, desde seus 2 anos de idade, com a descoberta e seu treinamento até a fuga para Índia, por causa da invasão comunista da China, é mostrada com beleza e em cenas inesquecíveis, mas por muitos momentos se arrasta.

Com um elenco na maioria de não atores, a direção de fotografia, a cargo de Roger Deakins – constante colaborador dos irmãos Coen, e a edição da película, com a sempre craque Thelma Schoonmaker, eterna parceira de Scorsese, são os responsáveis pelos grandes momentos de Kundun, juntamente com a sensacional trilha sonora de Philip Glass.

Kundun é como os tibetanos chamam o Dalai-Lama, e significa A Presença.

15 comentários:

Kamila disse...

"Kundun" é um filme deslumbrante para os olhos. E concordo quando você diz que a história do filme se arrasta demais.

Junto com "O Aviador", "Kundun" é um dos filmes da obra do Scorsese que eu olho e não enxergo nada que seja fiel aos elementos de sua direção. Eu não vejo aquela marca própria do Scorsese.

Museu do Cinema disse...

Realmente Kamila, não tem nada a ver com o Scorsese dos aureos tempos, eu acho que ele tentou voltar no proximo filme, e ai resolveu seguir essa trilha, q deu um Oscar.

Ramon Scheidemantel disse...

Engraçado... nunca lembro se assisti ou não esse filme. Mas pela descrição, acredito que assisti, sim. Alguma história parecida me vem à cabeça.
O engraçado disso é justamente constatar o fato de que esse filme não é uma obra-prima. Não é algo que fica marcado em nossas lembranças.

A Thelma realmente é parcerassa do Scorsese, hein?! E o engraçado é que ela parece uma senhora distinta e tradicional. Algo que torna o seu trabalho ainda mais surpreendente.

Museu do Cinema disse...

Eu acho que se o Scorsese não tivesse a Thelma o trabalho dele reduziria de importância significavelmente.

Vinícius P. disse...

Como já foi falado pela Kamila, não enxergo nada do Scorsese em "Kundun", mas isso não quer dizer que não seja um ótimo filme, melhor na estética que no conteúdo. Trilha marcante, acho até que merecia mais o Oscar que a música de "Titanic".

Abraço!

Otavio Almeida disse...

Eu concordo com o Vinicius, mas penso desta forma: Se um grande diretor não parece ele mesmo, o cara pelo menos tem que entregar um belo filme. E KUNDUN é um belíssimo filme.

Já vejo muitos maneirismos de Scorsese em O AVIADOR (a Kamila disse que não vê). Acho que parece um filme dirigido por ele.

Por exemplo, não vejo muito dos tiques de Woody Allen em MATCH POINT. Mas e daí? É um filmaço!

Abs!

Museu do Cinema disse...

Bom, já que o Otávio polemizou, lá vou eu...Acho que cineasta de grife deve sim deixar sua marca nos seus filmes, pelo menos eu vou ao cinema por ele e quero ver aquilo, como Tarantino, Bertolucci, De Palma...

Otavio Almeida disse...

Mas se vc entrasse no cinema para ver MATCH POINT sem saber o nome do diretor, vc ficaria surpreso ao ver o nome de Woody Allen nos créditos finais?

Abs!

Kamila disse...

Eu concordo com o Cassiano, quando ele diz que cineasta de grife tem que deixar sua marca.

Tendo dito isto, Otávio, eu acho bom quando os cineastas nos surpreendem com algo novo, como é o caso de Woody Allen e seu "Match Point". O que me incomoda profundamente em "O Aviador" é ver o Scorsese se render - neste filme - a uma fórmula que ele acreditava que poderia lhe render o Oscar - e que acabou não rendendo porque ninguém acredita nesse tipo de transformação, entende?

Museu do Cinema disse...

Não, mas a gente já discutiu isso Otávio, eu acho que Matchpoint tá carregado de Woody Allen.

De resto, concordo com a Kamila.

Otavio Almeida disse...

Entendo, Kamila! Mas acho que O AVIADOR tinha que ser daquele jeito. É a época de ouro de Hollywood. É glamour! É dessa grandiosidade que vc está falando?

Já discutimos MATCH POINT, Cassiano? Tinha me esquecido. :)

Não é que eu acho que um diretor-autor tenha que nos surpreender com algo novo. Eu assisto a um filme de Scorsese ou Allen esperando a marca deles. Juro! E eu até prefiro assim. Mas quando eles mudam, penso que são artistas que têm o direito de fazer isso, sabe? Aí... eu tenho que analisar o filme como ele é.

MATCH POINT pode ser visto como uma releitura de "Crime e Castigo", de Dostoiévski. Allen já mostrou essas influências em CRIMES E PECADOS. Na minha opinião, as semelhanças com o bom e velho cinema de Allen param aqui. Mas é um belíssimo filme. E está entre os seus melhores trabalhos. Nessa nova fase inglesa, eu vejo mais de Woody Allen, em SCOOP. E ironicamente, prefiro MATCH POINT.

No caso de KUNDUN, por exemplo, a religião sempre foi uma força nos filmes de Scorsese. Acho que para compreender a minha religião, eu preciso entender como funciona a outra (e tantas outras). Vejo KUNDUN desta forma. E acho um filme belo e hipnotizante.

Abs!

Ah! Não sabia que os Stones iam terminar... de novo...

Museu do Cinema disse...

Vamos por partes...

Eu acho que Matchpoint é um filme extremamente rico, por isso gera todos esses debates a ponto de achar que foge da filmografia de Allen. Com certeza é um de seus melhores filmes, e tá longe de Scoop, apesar de gostar tb desse.

Match é menos engraçado e não tem as piadas inteligentes do Woody, mas acho que a principal "estranheza" é a falta do Woody Allen, ou seja, do sujeito esquizofrênico, nervoso e atrapalhado dos filmes do cineasta. Se vc pegar Melinda e Melinda, principalmente a parte dramática da trama, verá muito elemento de Matchpoint.

A coisa da mulher ser mais inteligente, tá lá, a cidade como um ator, no caso Londres, tá lá, os dialogos inteligentes, tá lá.

O dificil do Woody Allen é que ele não tem um estilo de câmera ao filmar, ao contrário de Scorsese, Leone e Tarantino, por exemplo. Mas ele é carregado de grife, talvez mais ao estilo Robert Altman, apesar desse ter bem definido um estilo.

Concordo contigo em Kundun, o filme é belo, mas no caso o mérito não é do Scorsese. Pórem quem é o responsavel por escalar o diretor de fotografia e de edição?

Mudar é sempre bom, descobrir coisas novas, talvez eu esteja sendo um pouco fã demais.

Otavio Almeida disse...

Ah, não! Não sei se vc está sendo fã demais. Eu tb sou. E daí? E compreendi seu ótimo ponto de vista. Me fez abrir a cabeça.

Grande abraço!

Kamila disse...

Concordo com o post do Cassiano. Mesmo em "Match Point", a gente encontra certas marcas do cinema do Woody Allen. A diferença mesmo é a ausência dele da tela e toda a questão da sensualidade com que ele aborda o personagem da Scarlett Johansson - o que é um elemento novo na obra dele.

No caso de "O Aviador", a única coisa que eu vejo em comum entre Scorsese e filme é que eu acho que o Scorsese colocou na tela todo o seu amor pelo tempo áureo do cinema e que é um trabalho que ele faz constantemente fora da tela, com sua dedicação à restauração de filmes antigos. Eu acho que "O Aviador" é a homenagem dele a esse tempo áureo, a esse estilo de vida e a uma Hollywood antiga, que não existe mais.

Como eu disse anteriormente, o fato que mais incomoda é mesmo se render a uma fórmula certa. E a gente bem sabe que Scorsese não tem fórmula. Ele não precisa desse tipo de coisa.

Museu do Cinema disse...

Assino em baixo Kamila, se existe uma regra em Hollywood de como se fazer filmes bons, Scorsese estará sempre a margem dela, mas ele acabou se rendendo a isso.