28 junho 2007

Um Estranho no Ninho

One Flew Over the Cuckoo’s Nest – Milos Forman – 1975 (DVD)

Randle Patrick McMurphy – O paciente RMC003782 sofre de múltiplas disfunções psiquiátricas. Sua personalidade heteroagressiva invoca comportamentos letais a sua pessoa e a outras de seu convívio. Sua mente sádica e perversa proporciona aos outros pacientes uma alteração de comportamento prejudicial ao tratamento. Assinado: Enfermeira-chefe Mildred Ratched.

Mac seria um doidão normal, se não fosse interpretado pelo doido mais cool do cinema, Jack Nicholson. A enfermeira Ratched seria apenas mais uma chata antipática, se não fosse interpretada por uma Louise Fletcher inspirada. Um Estranho no Ninho seria mais um filme de manicômio, se não fosse dirigido por Milos Forman e produzido por Michael Douglas e Saul Zaentz.

Ao contrário do diagnóstico acima, McMurphy é um sujeito boa-praça. Doidão é verdade, mas o máximo que poderia ser adjetivado no seu relatório psiquiátrico seria um irresponsável. Ele foi preso por agressão. Ora, numa sociedade violenta como a nossa em que crianças são ensinadas que violência é uma forma de educar, não acredito que isso seja uma questão muito significativa. Preso também pelo estupro e aliciamento de uma menor. Bom, há quem diga que a menor em questão aparentava 35 anos e o estupro não foi totalmente esclarecido.

Mac foi transferido para o hospital psiquiátrico devido a suas atitudes anormais onde será estudado e vigiado para que se defina o grau de loucura em que ele se encontra e qual o tratamento indicado. Ele estará se juntando ao grupo formado por Harding (William Redfield), Martini (Danny DeVito) Sefelt (William Duell), Taber (Christopher Lloyd) e Chief (Will Sampson), sob a supervisão da enfermeira Ratched.

16 comentários:

Kamila disse...

Cassiano, adorei o texto. Tenho "Um Estranho no Ninho" aqui em casa e acho um filme genial.

Concordo quando você diz que o Mac não é louco, e sim um irresponsável. Gosto especialmente do final do filme, em que a gente tem aquele surpresa. Um lance de lucidez num mar de loucura. É fantástica aquela cena final entre o Chief e o Mac.

Kamila disse...

* corrigindo

em que a gente tem aquelA surpresa.

Museu do Cinema disse...

Sim Kamila, com certeza é um filme genial.

Otavio Almeida disse...

O Milos Forman sempre faz filmes sobre sujeitos loucos e bem a frente da sociedade. Não exatamente loucos, mas visionários, e que vivem a vida intensamente. McMurphy, Larry Flynt, Andy Kaufmann, Mozart... E costuma chocar com uma cena de morte (ou algo perto disso): a cena da amigo de McMurphy se cortando, a Courtney Love na banheira, em Larry Flynt, o Saliere se cortando. Já reparou como são as mesmas cenas? A câmera acompanha o desespero do personagem que arromba a porta. A câmera passa por ele e choca a platéia com a figura do "suicida".

Forman analisa o senso de crítica social em seus filmes, principalmente, em UM ESTRANHO NO NINHO, o maior filme do cinema a criticar o conformismo.

Já viu NA ÉPOCA DO RAGTIME? Acho que Forman fez a maior crítica ao racismo em toda a história do cinema.

Abs!

Otavio Almeida disse...

Ah! Acho que essas cenas de "suicído" marcam o ponto em que os personagens se tocam que, por mais que tentem ser aceitos... ou por mais que tentem convencer as pessoas, nada disso vai mudar. Não se somente uma voz gritar.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Sim Otávio, tem muito disso no cinema de Milos Forman, sem falar que são cinebiografias de personalidades bastante semelhantes.

Romeika disse...

Nao vi esse filme=/ Eh uma das minhas lacunas como cinefila, que vergonha. Vou procurar assisti-lo em breve.

Museu do Cinema disse...

Veja sim Romeika, todos nós temos nossas lacunas cinematográficas!

Marcus Vinícius disse...

Um dos melhores filmes que existem. NIcholson nunca esteve tão inspirado quanto nesse filme. Ainda tem o Milos, que é um puta diretor (quando será que sai o novo dele, sobre aquele jogador?). Eu só senti coisa parecida no final de Um Estranho no Ninho quando vi Réquiem para um sonho, fiquei com o filme uma semana na cabeça, aquela angustia martelando toda vez que me lembrava dele.

Saudações tricolores e abraços!

Museu do Cinema disse...

Oi Marcus, acho que está atrapalhando as coisas, o proximo filme do Milos Forman é sobre o pintor Francisco Goya, se chama O Fantasma de Goya e está para estrear por aqui.

Marcus Vinícius disse...

Amigo, é mesmo, me atrapalhei. Esse filme que me referi é o "Amarillo Slim", sobre o Doyle Brunson, um lendário jogador de poker. Fui fuçar e o projeto tá recém em pré-produção e com o Nicolas Cage confirmado no elenco. =]

Alex Gonçalves disse...

Também considero "Um Estranho no Ninho" ótimo. É impressionante o quanto nos identificamos com os personagens e a rotina monótona que eles levam todos os dias naquele local. Mesmo que belo, os momentos finais me incomodaram. Sem detalhes para não levar pedradas, rs, rs, rs...

Túlio Moreira disse...

Televisão imaginária. Passeio de barco. Clássico. Preciso dizer mais?

Vinícius P. disse...

Por mais que eu tente ver filmes clássicos, sempre falta algum do porte de "Um Estranho no Ninho" (sei, é um crime, mas tenho apenas 19 anos e ainda tenho muito tempo para vê-lo, ok?). Rsrsrsrsrs

Abraço!

The Thinker disse...

Gostei do Blog ! Achei através do google onde estava fazendo uma pesquisa sobre um filme: " Um estranho no ninho."

É sempre lembrar desses bons filmes antigos...

Um Abraço.

T+v!

www.think.blig.com.br

Leandro Climaco disse...

Não conhecia o filme, mas como se tratava de Jack Nicholson resolvi apostar. E que surpresa ! Principalmente por se tratar de um tema recorrente no cinema. Em "Um estranho no ninho" a temática é desenvolvida fugindo do caricatural, tanto que a a atriz Louise Fletcher interpreta uma enfermeira que convence pelo não maquiavelismo, pela crença em seu trabalho, apesar de fazer parte de uma instituição que massacra o indivíduo. O final do filme mostra o poder de desumanização do hospital psiquiátrico, quando o personagem "Chefe" decide tomar uma atitude radical em relação ao seu companheiro McMurphy.
Um belo trabalho cinematográfico, mas também um bom trabalho de crítica social.