05 junho 2007

Ó Paí, Ó

Ó Pai Ó – Monique Gardenberg – 2007 (Cinemas)

Brother, primeiro é bom definir que o filme fala basicamente da cultura baiana, portanto o tema é comum a poucos, e pode vir a ser negativo para muitas pessoas, outras podem achar que todas as personagens são clichê, muito por não conhecer a realidade.

Depois do Pelourinho ser ACMzado, pois, durante o governo de Antônio Carlos Magalhães, o Pêlo sofreu uma ampla reforma para se tornar mais turística. É notório, no entanto, que muitas famílias foram retiradas, além de marginais, traficantes, viciados e prostitutas. As obras, apenas das fachadas, seguiram as cores originais e o bairro ainda ganhou prédios de estacionamento e policiamento intenso.

Baseado na peça teatral homônima, encenada pelo grupo teatral do Olodum, o filme leva muito do teatro para as telas. Roque (Lázaro Ramos) trabalha como pintor e quebra-facas. Gente boa, ele vive na pensão de Dona Joana (Luciana Souza), uma crente escrota que quer os filhos, Cosme e Damião, seguindo seu caminho. O ponto alto do filme é o barraco de Roque e Boca (Wagner Moura), um bandidozinho meia tigela, quando, aos berros, Roque discursa sobre preconceito racial, muito existente na Bahia, mesmo a população sendo 90% negra. A pensão é no bairro da Barroquinha, nas adjacências do Pelourinho, é lá que se misturam outras personagens, como Neuzão (Tânia Tôko), a dona do bar sapata, que ta cuidando da sobrinha Rosa (Emanuelle Araújo), que ta doida para curtir o carnaval de Salvador.

A cultura baiana é rica não só em música e atores, temos uma produção cultural, principalmente teatral, enorme, que explora a chamada baianidade, como Vixe Maria! Deus e o Diabo na Bahia, R$ 1,99, A Bofetada, e outras peças que falam sobre a cultura da Bahia, explorando a forma de falar, as excentricidades e principalmente os modismos da cidade, culturalmente, socialmente e economicamente, sendo sucesso de público e exportando atores para Globo.

Apesar da intenção da diretora baiana, ou da Globo Filmes, em amenizar alguns aspectos, para o filme ser aceito fora da Bahia, a riqueza do texto é o principal trunfo do filme, dificultando essa extensão.

6 comentários:

Kamila disse...

Cassiano, "Ó Paí Ó", para mim, seria um filme bem mais interessante se não fosse a tentativa, no final, de inserir a crítica social por meio de Cosme e Damião.

Acho que o ponto alto do filme é a crônica que faz do dia-a-dia dessas pessoas que são cheias de força de vontade.

Museu do Cinema disse...

Pois é Kamila, mas a crítica social é verdadeira, inclusive no domingo foi feito um protesto dos policiais para tirar essa parte, e aqui na Bahia todos sabem que é verdade aquilo.

Vinícius P. disse...

Não tenho nada contra esse tipo de cinema "regional" (até gostei de "A Máquina" por reconhecer certos aspectos da cultura pernambucana), mas não gostei tanto de "Ó Paí, Ó". Algumas questões sociais são discutidas de forma adequada, mas não se enquadram no filme que mais parece uma farra musical. Gostei muito da atuação do Lázaro, digna de prêmio (a discussão com o personagem do Wagner Moura é o ponto alto da fita).

Abraço!

Otavio Almeida disse...

Iaaaaiiiiiiiiiiiiii!

Kamila disse...

Cassiano, não vou nem tentar contestar a realidade baiana, pois você a conhece bem melhor do que eu. No entanto, eu acho que o filme ficaria bem mais enxuto sem a crítica social. As cenas do desfecho de Cosme e Damião ficam até muito soltas no meio de tanta cena retratando a festa que é o carnaval de Salvador.

Museu do Cinema disse...

Vc tem razão Kamila.