08 maio 2007

Despedida em Las Vegas

Leaving Las Vegas – Mike Figgis – 1995 (DVD)

Uma pergunta que a personagem de Nicolas Cage se faz durante a primeira parte do filme é no mínimo intrigante. Ele se questiona se a esposa o abandonou porque ele começou a beber, ou se ele começou a beber porque a esposa o largou. É a resignação do ser humano diante da sua condição, no caso o alcoolismo.

Já a personagem de Elizabeth Shue, no papel mais sensual da carreira, é uma resignada temporária, por isso mesmo ela não agüenta a entrega do alcoólatra vivido por Cage, ela sabe que sua carreira na prostituição não vai durar eternamente, mas ela entende muito bem sua condição e sua entrega ao cafetão, a personagem de Julian Sands.


É um dia diferente e Ben está num
bar diferente. É o começo da tarde
e ele conseguiu ir até Beverly Hills
para almoçar: um aperitivo e seis
ostras cruas, muita vodca como sobremesa.
Agora, devidamente fortalecido,
está pronto para uma segunda
visita ao seu banco em Beverly Hills.*


Mike Figgis é um dos grandes nomes do cinema de hollywood, mas como talento parece estar separado de influência na industria cinematográfica norte-americana, o cineasta britânico tem enorme dificuldade em divulgar seus filmes, existem pelo menos 3 filmes seus que nunca foram lançados no país. Para quem já ressuscitou a carreira de Richard Gere, no excelente policial Justiça Cega (1990), e fez Wesley Snipes contracenar de igual com Nastassja Kinski, no maravilhoso Por Uma Noite Apenas (1997), isso sem falar na interpretação hour concours de Cage, o diretor merece mais “mídia”. O ator inclusive teria interpretado várias vezes embriagado. Figgis é também craque na trilha sonora, a de Despedida em Las Vegas, de sua autoria, é seu ponto alto, é de uma interação com o filme poucas vezes visto na história do cinema.

...Sera entrega-se temporariamente
a solidão do seu quarto e se
prepara para as ruas, os bares
e os quartos de hotel de Las Vegas.*

Ao som de um Sting puro jazz, a história de Ben (Nicolas Cage) e Sera alterna momentos de euforia e melancolia, com excitação e decepção. Ben, um bem sucedido escritor de roteiros em Los Angeles, decide vender todas as suas coisas, pegar sua rescisão e beber até morrer em Las Vegas. Sera ganha a vida com seu corpo e agora está sozinha e carente depois que seu cafetão, Yuri (Julian Sands) se envolveu com a máfia russa que agora o persegue. A necessidade dos dois faz com que brote um relacionamento de amor. Sera procura uma pessoa que não a julgue, maltrate ou a use sexualmente, e Ben deseja alguém para curtir seu solitário ritual rumo à morte.
* Passagens do livro de John O'Brien, que, antes de começar as filmagens, morreu de cirrose.

8 comentários:

Kamila disse...

"Despedida em Las Vegas" é a melhor atuação da carreira do Nicolas Cage no cinema.

O Mike Figgis deve ser mesmo especialista em arrancar bons desempenhos de seus atores. Dos filmes dele, gosto muito mais de "Por Uma Noite Apenas", em que Wesley Snipes é um ator de verdade.

Museu do Cinema disse...

Sem duvida Kamila. O Richard Gere tb tem uma atuação maravilhosa em Justiça Cega.

Marcus Vinícius disse...

Ainda não vi esse. Foi pra lista!

É HOJE!!! PRA CIMA DELES!!!

Museu do Cinema disse...

Vamos lá gremista! Hoje é mais uma decisão, alma na chuteira, sangue no olho!

Marcus Vinícius disse...

GRÊMIOOOO!
GRÊMIOOOO!
GRÊMIOOOO, GRÊMIOOOO, GRÊMIOOOO!


Meu deus, eu to sem voz aqui. Foi lindo demais, o Monumental pulsando, o time guerriando. To sentindo cheiro, cheiro de taça... Abração!

Museu do Cinema disse...

Vibrante amigo gremista sem duvida, o Grêmio provou mais uma vez pro mundo que nem sempre o dinheiro fala mais alto.

Se eles nos levaram Hugo e Jorge Wagner, eles nunca conseguirão nos levar a alma! E amigo, essa alma é completamente IMORTAL!

Aqui se jogam HOMENS, não jogadores do futebol!

Vinícius P. disse...

Sem dúvida é o melhor trabalho de Nicolas Cage na carreira, simplesmente perfeito. O filme não fica atrás, é um dos melhores da década de 90, sem falar que a Shue está maravilhosa também (até acho que o filme merecia melhor sorte no Oscar).

Museu do Cinema disse...

concordo integralmente contigo Vincius.