07 fevereiro 2007

A Conquista da Honra

Flags of Our Fathers – Clint Eastwood – 2006 (Cinemas)

Todo pai nutre o desejo de ser um herói para o filho. O que leva um pai a esconder esse heroísmo de um filho?

Todo idiota tem algo a dizer sobre a II Guerra Mundial. Por isso, o genial Clint Eastwood prefere contar uma história sobre...a II Guerra Mundial que é muito original.

A trama é desencadeada pela famosa fotografia de Joe Rosenthal, da Associated Press, de seis soldados norte-americanos levantando a bandeira do seu país no Monte Suribachi, após a “vitória” na batalha da ilha de Iwo Jima. Capa de todos os jornais nos Estados Unidos, a foto vira campanha de marketing para arrecadar mais recursos para o falido exército.

Três, dos seis soldados da foto são convocados para voltar para casa e participar da turnê de promoção da foto, o enfermeiro John "Doc" Bradley (Ryan Phillippe), Rene Gagnon (Jesse Bradford) e Ira Hayes (Adam Beach), esse último tema da música The Ballad of Ira Hayes, interpretada pelo mestre Johnny Cash e Bob Dylan. O que não foi dito é que a batalha de Iwo Jima foi uma das mais sangrentas da história da guerra e os outros três soldados que ajudaram a erguer a bandeira, morreram logo depois.

Clint Eastwood dirige, produz e é o responsável pela belíssima trilha do filme. Aos 76 anos seu talento parece não ter mais limites. Tranqüilo e observador, Eastwood não grita ação em seus filmes, aprendeu que o grito assustava os cavalos nos inúmeros faroestes que fez como ator. Aprendeu também a cercar-se de gente competente como o roteirista Paul Haggis e o cada vez melhor Tom Stern, diretor de fotografia, uma das mais criativas desde Pleasantville (1998). Agora é aguardar Cartas de Iwo Jima (2006).

A Conquista da Honra é um filme sobre heroísmo sem hérois, é uma ode ao patriotismo norte-americano sem governos ou bandeiras, é uma homenagem a um povo que vive de guerras e vê seus filhos morrerem. É uma tentativa de entender por quem seus soldados matam, e nisso ele é original.

22 comentários:

pedrita disse...

caramba, mais um que não vi. não fiquei com vontade de ver o filme abaixo. beijos, pedrita

Museu do Cinema disse...

Vale a pena Pedrita, mas temos tantas boas opções no cinema que fica dificil mesmo, indico 4 filmes: esses dois que postei e mais dois que irão entrar depois, Pecados Íntimos e O Último Rei da Escocia.

Kamila disse...

Cassiano, vou assistir "A Conquista da Honra" no sábado.

Gosto muito do Clint Eastwood como diretor e, nos últimos anos, ele tem provado ser um dos melhores da atualidade.

Suas obras são sempre aguardadas com muita ansiedade por mim.

Museu do Cinema disse...

Tb sou fã do Clint, desde quando ele era "apenas" um ator. Hoje tá ai, o grande nome do cinema norte-americano atual. Mas para quem foi aluno de Sergio Leone não me surpreende.

Otavio Almeida disse...

"Todo pai nutre o desejo de ser um herói para o filho. O que leva um pai a esconder esse heroísmo de um filho?" e "A Conquista da Honra é um filme sobre heroísmo sem hérois, é uma ode ao patriotismo norte-americano sem governos ou bandeiras, é uma homenagem a um povo que vive de guerras e vê seus filhos morrerem. É uma tentativa de entender por quem seus soldados matam, e nisso ele é original."

Cassiano, vc pegou o espírito desse filme maravilhoso! Parabéns pela crítica!

Túlio Moreira disse...

Eu não posso fingir que gostei de A Conquista da Honra. Olha, sim, é um filmão. Sim, tem uma trilha sonora de arrepiar. Sim, que ângulos de dentro dos bunkers! Mas é um SÓ. Não é como Sobre Meninos e Lobos ou Menina de Ouro - especialmente esse último, que me provocou uma crise compulsiva de choro. Não é um filme que daqui três anos você vai estar ainda remoendo, não é um Blade Runner da vida, que décadas depois da primeira sessão você ainda escuta aquela maldita voz dizendo "é uma pena que ela não vai viver. mas afinal, quem vive?".

A Conquista da Honra é um filmaço, filme lindo até o último nome dos créditos finais. Mas é SÓ. É um filme cheio de boas intenções, e de boas intenções o inferno está cheio.

Abraço!

Túlio Moreira disse...

Mas Cassiano, é justamente nisso que está a minha birra com filmes de guerra. Não acho original. Na verdade, todos os filmes de guerra já produzidos são "uma tentativa de entender por quem seus soldados matam".

Aquela frase, "eles lutam por seu país, mas morrem por seus amigos", resume TODOS os filmes do gênero.

Forte abraço!

Museu do Cinema disse...

Otávio, obrigado, fiquei envaidecido.

Túlio, eu achei o filme muito original, apesar de ser um assunto mais do que batido, Eastwood pegou um lado que ninguém nunca mostrou.

Alexsandro Vasconcelos disse...

Odeio filmes de guerra!!!
Mas acho que esse é bom...
Depois de ter visto outros filmes do Eastwood não tenho dúvidas que essa semana ainda vou assistir À Procura da Felicidade.

Um Abraço

Victor Nassar disse...

"Todo idiota tem algo a dizer sobre a II Guerra Mundial. Por isso, o genial Clint Eastwood prefere contar uma história sobre...a II Guerra Mundial que é muito original."
Muito bom!..heheh

Ainda não vi o filme...mas..sinceramente..não curto tanto a idéia de ir assisti-lo não...qdo chegar o dvd talvez!
hehe

Abraço!

Museu do Cinema disse...

Victor e Alexsandro, vale a pena ver o filme, o único porem é que tem tanta coisa boa no cinema, o melhor é ver tudo.

Túlio Moreira disse...

Cassiano, mas Oliver Stone mostrou esse lado duas vezes, em Platoon e Nascido em 4 Julho! Brian De Palma também já mostrou esse lado, com Casualities of War. O filme não é tão original assim...

Abraços!

Henrique disse...

Estou tendo o prazer de ler o livro e logo depois irei ver o filme com certeza.

romeika disse...

Acho que so virei admiradora do Eastwood depois de "Sobre Meninos e Lobos" (conhecia muito pouco da sua filmografia anterior), mas hoje em dia cada novo projeto dele eh esperadissimo por mim. Eh um dos meus diretores favoritos da atualidade. Tomara que essa vitalidade dele se prolongue por muito mais tempo....

Túlio Moreira disse...

Com certeza, Romeika. E especialmente Menina de Ouro, que é um filme porra-louca e até agora um dos cotados para assumir o topo do ranking dos melhores dos anos 2000.

Beijo!

Marcus Vinícius disse...

Clint é excelente, como ator e diretor. Quem não se lembra de William Muney, o filho da puta que já matou tudo que anda e rasteja nesse mundo... Enfim, também gostei muito de A Conquista Da Honra, sinto que faltou alguma coisinha, mas sim, o filme é muito bom. Dizem que Cartas De Iwo Jima é melhor, não vejo a hora de conferi-lo. Té mais.

Museu do Cinema disse...

Oi Henrique, bem vindo, tenho muita vontade de ler esse livro também, deve ser muito interessante.

Túlio, Platoon e Nascido em 4 de julho falam disso tb? Não vi isso, ou não entendi sua afirmação.

Romeika, tb adoro Clint. Genial.

Túlio Moreira disse...

Na verdade, eu acho que todos os filmes de guerra (ou western-artilharia, como prefiro chamar o gênero) falam da mesma: soldados manipulados, a sobrevivência do Estado em contrapartida com a sobrevivência do indivíduo. Se algum diretor nos últimos 20 anos (e isso inclui Steven Spielberg) conseguiu fugir muito disso, então eu perdi a sessão.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Então Túlio, vc perdeu a sessão de A Conquista da Honra, porque ele não tem nada disso. Ou tem mas como fato secundário. Acho que a história gira mais em torno da questão pai e filho, herói ou bandido, ética ou capitalismo.

Túlio Moreira disse...

Talvez sim, Cassiano. Acho que precisaria de uma revisão ao filme para mudar (ou não) minha opinião. Mas acho que Cartas de Iwo Jima vai me surpreender. Não posso rever A Conquista da Honra nos cinemas porque como vc disse lá no blog do Otavio, muitos outros bons filmes também estão em cartaz e não posso perder nenhum.

abraço!

Kamila disse...

Assisti "A Conquista da Honra" hoje e achei um bom filme. Concordo quando você diz que o Eastwood foi original na sua abordagem e o filme acaba sendo uma bela história sobre heróis em crise.

Museu do Cinema disse...

Obrigado Kamila, li seu post tb.