11 janeiro 2007

Sunshine

Um filme – Duas visões

Inauguro hoje um novo post chamado 1 filme, 2 visões, onde irei chamar convidados para resenhar um mesmo filme. E começamos com Sunshine (1999). Primeiro a minha versão, logo depois a de um convidado.

Sunshine – István Szabó – 1999 (DVD)

Não aceite nada sem questionar. Verifique tudo por si mesmo”.

O cineasta húngaro István Szabó, o único da sua nacionalidade a ganhar um Oscar pelo filme Mephisto (1981), fez de Sunshine seu projeto mais pessoal. O diretor cresceu em meio ao nazismo e o comunismo, onde foi forçado a delatar amigos e conhecidos. E o filme narra a história de três gerações da mesma família obrigada a conviver com mudanças de governo. A grande mensagem que o roteiro, escrito pelo próprio Szabó, deixa no final é que muito de nossos ideais vem da nossa cultura e do momento político em que nossa vida atravessa em determinado ponto da história. Simples, mas verdadeiro.

Sonnenschein

Sunshine é o nome do revigorante – a receita é um segredo da família –, que traz fortuna aos Sonnenschein. O patriarca descobre que seu filho, Ignatz (Ralph Fiennes) está apaixonado por sua filha de criação, Valerie (Jennifer Ehle), em meio ao crescimento do sentimento anti-semita, que os obriga a mudarem de nome para Sors.

Sors

Na segunda geração, já no período do holocausto, a família se desestrutura e, entre os sobreviventes, Adam Sors (Ralph Fiennes), reconstrói sua vida com a lembrança do assassinato do pai a sua frente, num campo de concentração.

A terceira geração, e onde o filme se concentra mais, é baseado na verdadeira história dos esgrimistas húngaros e judeus Endre Kabos e Attila Petschauer, campeões dos jogos olímpicos de 1936 em Berlim e mais uma vez interpretado por Fiennes, um excepcional ator. A película ainda traz um ótimo elenco, com destaques para Rosemary Harris, de Homem-Aranha, Rachel Weisz, Deborah Kara Unger e William Hurt.
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A Saga de uma família judia

* Por Gutember Cruz, jornalista, blogueiro (blog do Gutemberg) e constante colaborador desse espaço.

Três horas para contar a saga de uma família judia. Assim é Sunshine, o Despertar de um Século, filme de István Szabó. A família enfrentou os nazistas até o legado comunista. Haja sofrimento. O ator Ralph Fiennes vive pai, filho e neto, interpretando três gerações da família Sonneschein, um clã judeu que vai perdendo sua identidade para sobreviver em meio ao anti-semitismo, guerras e perseguições políticas.

No início ele é um advogado que é aconselhado a trocar seu sobrenome judeu. Vem a Primeira Guerra Mundial e ele vai participar do conflito. Seu filho, um esgrimista, sofre o mesmo preconceito e é obrigado a se converter ao catolicismo. A família é perseguida com o crescimento do anti-semitismo e o rapaz é executado na frente do filho Ivan. Para se vingar, Ivan persegue os nazistas e entra em conflito comunista.

Trata-se da história da Hungria e os momentos mais dramáticos do século XX. Os bastidores do poder político de um nacionalismo histérico com forte pontuação racista anti-semita. Era a defesa da raça superior para dominar às outras. Raça superior? Que planeta é esse? Pode-se perguntar. Mas onde há política há ambição e tragédia, tenho certeza. Para quem deseja conhecer um pouco mais da sobrevivência de um povo judeu, assista. Vale a pena.

20 comentários:

Anônimo disse...

Olá, Cassiano! Adorei os dois filmes! Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-sol são lindos, né?


Adorei este post e sua nova idéia! E agora, depois de lê-lo, estou louca para assistir ao filme!

Beijo!

Museu do Cinema disse...

O filme é longo, mas vale a pena Carla.

Eu sou suspeito para falar pq adoro filmes de romance, talvez por isso tenha gostado de A Casa do Lago.

Marcus Vinícius disse...

Poxa, muito legal seu blog. Como estou voltando das minhas férias amanhã ainda não pude ler muita coisa, mas já estou bem curioso (em especial sobre o The Fountain). Foi um prazer conhecer seu blog, ainda mais sendo gremista tchê! Rumo ao tri!

Abraço e até mais.

Museu do Cinema disse...

Valeu Marcus! Seja bem vindo! Rumo ao tri e ao bi.

Vinícius P. disse...

Eu adorei esse filme. Nunca tinha visto algum trabalho do diretor e me surpreendi bastante com vários elementos de Sunshine, desde a produção técnica até o maravilhoso elenco. A Rosemary Harris está ótima, merecia ter sido indicada ao Oscar. Grande atuação também de Rachel Weisz.

Kamila disse...

Não assisti ao filme em sua totalidade, mas do pouco que eu vi fiquei impressionada com a qualidade da direção de arte e dos figurinos dessa produção. Como fã de Ralph Fiennes e de Rachel Weisz tenho que assistir este filme - mas, pelo jeito, só em DVD mesmo, pois acho difícil que um filme de 3 horas de duração passe na TV.

Museu do Cinema disse...

Verdade Vinícius, a atuação da Rachel tá soberba!

Kamila, corra para o DVD mesmo!

Túlio Moreira disse...

Muito legal a idéia, Cassiano. Precisando de outra visão sobre determinado filme, estamos aí!

P.S.: Vai estrear Filhos da Esperança aqui em Goiânia. Vc já viu?

abs!

Museu do Cinema disse...

Não, perdi a oportunidade quando passou por aqui, acabou saindo de cartaz.

E vou precisar sim. Entrarei em contato.

Otavio Almeida disse...

Olá Cassiano!

Trabalho como assessor de imprensa do canal Eurochannel aqui em SP, além dos canais E!, The History Channel e A&E.

Em dezembro, o Euro passou três filmes do Szabó: MEPHISTO, CORONEL REDL e HANUSSEN. Fiz a ponte por telefone entre o diretor e a jornalista Lilian Fernandes de O GLOBO numa entrevista exclusiva. Eu só ouvi o papo quietinho no telefone, mas foi a maior emoção da minha vida conduzir essa entrevista... o Szabó falou que gosta da idéia de seus filmes serem exibidos na TV, além de elogiar o Klaus Maria Brandauer e outras coisas que ainda pretendo escrever lá no blog quando terminar de rever MEPHISTO, que está lá em casa.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Olha Otavio, eu te confesso que não gosto muito de Mephisto, mas Sunshine acho um dos melhores filmes da humanidade, mas acho que é bem pessoal esse meu gosto.

O Szabó comentou sobre a polêmica de que foi delator na época da guerra fria?

Anônimo disse...

Lista de filmes de 2006.
Aguardo a tua visita.
Abraços cinéfilos

Otavio Almeida disse...

Hahhaha... Não, Cassiano. Ele não disse isso e a jornalista nem perguntou. Eu nem sabia disso pra te dizer a verdade.

Ele comentou que esses três filmes que citei falam sobre ditadura... que sua vida na Hungria foi influenciada por esse período...

Vc tem um e-mail onde eu possa te mandar a matéria?


Abs!

Museu do Cinema disse...

Te agradeço Otávio, manda para: museudocinema@hotmail.com

Túlio Moreira disse...

Cara, que jornalista sortudo! se eu tiver a mesma sorte tb quando me formar! Ah, Otavio, c pode mandar pra mim tb? (putz, cara, eu sou muito oferecido, hehehehehehehe)

O e-mail é cinema.kabuki@gmail.com

Valeu demais! Abs!

Museu do Cinema disse...

só vc mesmo Túlio...hahahahah

Alex Gonçalves disse...

Adorei essa seção do Blog, Cassiano!
Você é muito criativo!
Sunshine é um verdadeiro resumo das conseqüências mais marcantes e chocantes da década passada, o que torna um filme e documento obrigatório tanto para cinéfilos que gostam de cinema de verdade, tanto para um espectador comum que sempre analisa fatos como os passados no filme. Gostei de ambos pontos de vista.
Obs.: obrigado pela foto de Deborah Kara Unger em destaque, rsrsrsrsrss...

Museu do Cinema disse...

Ahh, vc como fã da Deborah, assim como eu, foi homenageado com a escolha amigo.

Obrigado, e gostaria de contar com sua colaboração também para futuras resenhas duplas dessa sessão.

Otavio Almeida disse...

Caraca, gente! Só vi agora os e-mails de vcs. Sorry! Tô mandando. Abs!!!!!

Alex Gonçalves disse...

Hum, sou um desastre escrevendo, mas pode contar com o meu esforço para um dia nos juntarmos nessa seção. Também tenho em mente realizar uma espécie de categoria em meu endereço, só que com outro tema e de maneira diferente. Quando sobrar tempo, tento deixar tudo nos eixos e mostro a minha proposta.
Novamente obrigado pela foto, e fico te devendo um dia a resenha de Álibi!
Abraços e tudo de bom!