03 janeiro 2007

Maids

Domésticas – Fernando Meirelles – 2000 (DVD)

Uma ótima comédia de humor negro sobre o “submundo” das empregadas domésticas. Com um roteiro inteligente, belíssimas interpretações (marca registrada do diretor), em especial das ótimas Graziela Moretto e Cláudia Missura, e uma aula de edição e timing, Fernando Meirelles faz da comédia Domésticas, um gênero tipicamente norte-americano, um filme engraçado, bem filmado e muito nacional, sem mostrar os resquícios negativos das nossas chanchadas. Com uma narrativa semelhante a Robert Altman, várias personagens dividem a tela mostrando seu dia-a-dia como empregadas em São Paulo. Além de ser uma crítica social, o filme funciona mesmo como comédia, bem ao estilo de O Jogador (1992), clássico de Altman.

Raimunda (Cláudia Missura), empregada de uma família de crasse alta de São Paulo, ela odeia seu nome, e ta na procura de um príncipe.


Roxane (Graziela Moretto), doméstica falastrona que vive em guerra com a patroa enrolada. Sonha em virar modelo, mas acaba entrando num esquema furado. Moretto pode ser considerada a musa do diretor.

Créo (Lena Roque), vive um probrema com o sumiço da filha com um rapper.

Quitéria (Olívia Araújo), menina bobinha que, por azar e um pouco de ingenuidade, não consegue se afirmar em nenhuma casa.

Cida (Renata Melo), casada com um homem bem devagar, ela passa a se interessar por um motorista e descobre que o probrema do marido tinha uma explicação nada normal.

24 comentários:

Túlio Moreira disse...

“(...) sem mostrar os resquícios negativos das nossas chanchadas”. Cassiano, gostei muito da sua resenha, a comparação com Robert Altman foi ótima, um degusto. Sem contar que a parte do “(...) vive um probrema com o sumiço da filha com um rapper” provocou uma grande trela. Domésticas tem o diferencial que você comentou, o desempenho do elenco. Fernando Meirelles é um bom diretor de atores, ainda bem que não se enveredou para o ramo de novelas globais, pois ia enferrujar seu talento.

Abraço!

Museu do Cinema disse...

Obrigado Túlio.

Concordo com o que diz no final sobre o Meirelles na Globo.

antônio josé disse...

ainda não vi esse filme, mas só o nome do meirelles nos letreiros já chama minha atenção. o texto ficou ótimo. parabemz!

Museu do Cinema disse...

Obigado

Alex Gonçalves disse...

O filme funcionou apenas em seus 15 minutos iniciais nos devidos momentos inspirados de humor. Depois, a tal "crítica social" começa a tomar conta do espetáculo e o filme vai se tornando pretensioso.
Ao contrário de você Cassiano, achei o filme bem novelesco...

Museu do Cinema disse...

realmente Alex discordamos bastante. eu já acho a segunda parte, que vc chamou de pretensiosa, a melhor.

Túlio Moreira disse...

Calma, pessoal, não precisa soltar faíscas... com certeza é melhor que o filme anterior do Meirelles, aquele Menino Maluquinho 2...

Museu do Cinema disse...

Pelo contrário Tùlio, faíscas nenhuma, o Alex mostrou o seu ponto de vista, que é o oposto do meu. Quem é o certo? Com certeza ninguém, são dois cinéfilos expondo suas interpretações.

Túlio Moreira disse...

É verdade, é preciso mostrar explicitamente a sua opinião, mesmo se eu assustar outros cinéfilos quando digo que não gosto de O Resgate do Soldado Ryan ou A Lista de Schindler, por exemplo, o importante é não esconder a minha opinião apenas para satisfazer os outros.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Como é Túlio??? Vc não gosta desses filmes??? Como pode???

Brincadeira!

Agora, pq vc não gosta?

Túlio Moreira disse...

Sei lá, Cassiano. Só não gosto, saca? É o mesmo que acontece quando eu vejo Uma Mente Brilhante ou Gladiador... Prefiro o Spielberg em Guerra dos Mundos, por exemplo.

Abraço! (e sua coluna, continua de pé?)

Museu do Cinema disse...

Vamos deixar para começar na próxima semana.

Acho normal isso Túlio, tem filme que não bate mesmo, já outros que são uma m... e adoramos. Justamente porque "bate".

Alex Gonçalves disse...

Obrigado pela compreensão, Cassiano!
Talvez eu não tenha gostado de Domésticas devido te-lô visto numa época que detestava o cinema nacional, mas que felizmente me surpreendeu no ano passado.
Abraços e tudo de bom!
Obs.: havia me esquecido de dizer a respeito, mas já aproveito para desejar um atrasadíssimo feliz ano novo...
(:P)

Túlio Moreira disse...

Alex,

Cinema nacional às vezes está no mesmo nível de grandes cinemas, como o argentino, o japonês, o coreano, o mexicano... não é nacionalismo exarcebado não, mas Central do Brasil, por exemplo, é muito superior a A Vida é Bela...

Museu do Cinema disse...

É nacionalismo sim Túlio...A Vida é Bela é um dos melhores filmes da humanidade, e não sou eu quem diz isso, em compensação, Cidade de Deus tb é; mas acho que o cinema nacional ainda engatinha.

Museu do Cinema disse...

FELIZ 2007 Alex! nunca é tarde para desejar!

Túlio Moreira disse...

Cassiano, eu não disse o contrário, só disse que Central do Brasil, por mais dor-de-dente que possa ser, ainda é superior.

Museu do Cinema disse...

Eu não acho, é um bom filme nacional com certeza, estaria na lista dos melhores filmes brasileiros, mas comparar com A Vida é Bela é demais.

Anônimo disse...

Concordo demais com você, Cassiano. A Vida é Bela é, na minha opinião, muitas vezes melhor que Central do Brasil.

Na verdade, vou mais além: eu nem gostei de Central do Brasil, acho Cidade de Deus muito, mas muito melhor!

Museu do Cinema disse...

Realmente concordamos Carla. Mas sou suspeito para falar, primeiro pq adoro A Vida é Bela, e segundo porque sou louco pelo cinema italiano.

Túlio Moreira disse...

Cinema italiano eu achei Pão e Tulipa, por exemplo, um ótimo exemplar, sem ser constrangedor como A Vida é Bela, mas enfim, esperemos Ensaio sobre a Cegueira.

Museu do Cinema disse...

Tùlio, ai seu problema é mesmo pessoal contra A Vida é Bela.

Túlio disse...

Deve ser mesmo, Cassiano. Mas respeito a produção e quem sou eu para tirar os méritos desse filme.

Museu do Cinema disse...

muitos brasileiros não gostam do filme por ele ter tirado a nossa única chance real de levar o Oscar.