22 janeiro 2007

BABEL

Babel – Alejandro González Iñárritu – 2006 (Cinemas)

Teoria do Caos – O bater de asas de uma borboleta no Japão pode provocar um tufão no Brasil. Esse é o efeito borboleta de 1963 analisado por Edward Lorenz. Em bom português, desgraça pouca é bobagem.

Babel é o terceiro filme da trilogia da teoria do caos, Amores Brutos (2000) e 21 gramas (2003) são os dois primeiros. Iñárritu completa aqui seu filme mais ambicioso e tecnicamente perfeito, porém sua premiação no Oscar pode ser prejudicada por ter muitas semelhanças com o último vencedor, Crash (2004).

Torre de Babel – Do capítulo 11 do Gênesis. Os descendentes de Noé começaram a construir uma torre com o objetivo de tocar o céu. Deus, irritado com a ousadia, fez com que todos os trabalhadores da obra falassem línguas diferentes, o que impossibilitou a realização da torre.

O filme é dividido em três linhas narrativas, em desordem cronológica, em quatro países, Marrocos, Japão, Estados Unidos e México, e falado em cinco línguas, inglês, japonês, espanhol, berbere e linguagem dos sinais.

1. Um casal norte-americano, Richard (Brad Pitt – excelente) e Susan (Cate Blanchett), depois de perderem um filho, resolvem viajar ao Marrocos para discutirem a relação. Numa excursão Susan é baleada.

2. No Japão, Chieko (a revelação Rinko Kikuchi) uma adolescente surda-muda tem problemas em aceitar sua deficiência e o suicídio da mãe, enquanto começa a sentir desejo pelo sexo oposto.

3. Amelia (Adriana Barraza) é uma babá mexicana ilegal nos EUA, mais precisamente em San Diego. Seu filho irá se casar no México e os pais das crianças que cuida não consegue alguém para ficar com elas, Amelia então resolve atravessar a fronteira com o sobrinho problemático Santiago (Gael García Bernal – ótimo) e as duas crianças.

27 comentários:

Vinícius P. disse...

Legal as explicações que você fez a respeito da Teoria do Caos e da Torre de Babel. Eu acho que sua semelhança com "Crash" pode sim prejudicá-lo no Oscar, mas eu (sinceramente) achei esse filme bem melhor que o do Paul Haggis - a semelhança são os diversos núcleos que têm algo em comum, mas em matéria de narrativa e em termos técnicos, "Babel" é muito superior.

Otavio Almeida disse...

O filme é tecnicamente perfeito sim... exceto por aquela cena do tiro. Reparou que o menino atira na lado direito do ônibus? Ele jamais teria como acertar a Cate Blanchett, que estava no lado esquerdo do veículo.

Mas vc gostou do filme?

Abs!

Museu do Cinema disse...

Sim Vinicius, concordo contigo, o filme é muito bem realizado tecnicamente. Mas acho que Os Infiltrados ganha mais reconhecimento dos "jornalistas".

Otávio, vc tá quase um perito da Policia Federal, te confesso que não me lembro disso, e nem prestei atenção, mas deve ter sido erro de continuidade ou de fotografia, isso acontece nos melhores filmes, até em O Poderoso Chefão, imagina em Babel...Mas gostei do filme sim, é um ótimo filme, só não daria o Oscar para ele, assim como Crash.

Túlio Moreira disse...

Cassiano, em bom português, um grande texto.

Túlio Moreira disse...

E eu acabo de sair de uma sessão de Um Filme Falado e Babel faz cada vez mais menos sentido.

abraço!

Marcus Vinícius disse...

Putz, ainda não consegui ver esse filme. Interessante mesmo essa referência bíblica. Apenas uma curiosidade: existe um maravilhos jogo para PS2 chamado 'Shadow of the Colossus' que também usa essa referência. Da-lhe Imortal e até mais. =D

Otavio Almeida disse...

Hahahahha... tem razão, Cassiano. E os filmes do verão americano, então? HOMEM-ARANHA tem lá os seus mil erros de continuidade... hahahhaa.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Obrigado Túlio, mas me diz uma coisa, vc gostou ou não de Babel?

Museu do Cinema disse...

Não conhecia esse jogo Marcus, vale a dica.

Anônimo disse...

Também gostei de Babel e, entre este e os Infiltrados, fico com a primeira opção (não gostei muito de Os Infiltrados). Mas, acho que a babação para Os Infiltrados é infinitamente maior.

Beijo!

Marcus Vinícius disse...

Cassiano, SOTC é uma obra de arte. Se curte games recomendo fortemente que jogue.

Museu do Cinema disse...

Oi Carla, temos pensamentos iguais, incrivel. Quando vamos ser opostos?

Marcus, sou jogador de playstations dos outros.

Anônimo disse...

Hummm...não sei....deixa ver: um monte de gente falou mal de Crash. Eu AMEI Crash. AMEI de verdade! Muito, muito!

Você gostou?

Se não, está aí a primeira discordância!

Beijo!

Museu do Cinema disse...

Gostei, o filme é bom. Mas não daria o Oscar a ele. Leia minha crítica.

Túlio Moreira disse...

Como? GOSTEI demais até! Eu daria o Oscar a esse filme e muito mais! Merece o prêmio, com certeza.

(gostei tanto que estou indo reprisar a sessão amanhã)

abs!

Museu do Cinema disse...

Então me desculpe Túlio, entendi completamente o contrário, eu tb adorei o filme, mas the oscar goes to...Litlle Miss Sunshine.

Ah, se o Oscar fosse assim...

Kamila disse...

Não assisti “Babel” ainda, nem li seu texto, Cassiano. Mas, depois da frustração de ontem, não quero ver uma reprise do que ocorreu em 2005: o filme com as piores críticas vencendo o Oscar de melhor filme. Risco “Babel” da minha lista de previsões. Também não suportaria ver “Os Infiltrados” ganhar, pois tanto “A Rainha” quanto “Pequena Miss Sunshine” são melhores filmes do que o do Scorsese.

Por isso, torcerei mesmo pela vitória do “Letters from Iwo Jima”, que dizem ser a obra-prima entre os cinco indicados.

Museu do Cinema disse...

Oi Kamila, não faça isso, vc deve assistir Babel, eu sinceramente acho que o Oscar não merece isso tudo, é bom para analisar e tentar acertar as escolhas, e só.

Não é nem de longe, a escolha do melhor filme do ano. Algumas vezes bate, mas sinceramente nem lembro quando foi a última vez que isso aconteceu...

Eu ainda não vi A Rainha.

Kamila disse...

Cassiano, eu sei que “Babel” não merece isso.

E não posso comparar ainda “A Rainha” com “Babel”. Comparo com os outros dois filmes que vi e estão indicados (“Pequena Miss Sunshine” e “Os Infiltrados”) e o filme do Frears é o melhor, até agora. O que não significa que ele irá ganhar. Isso é só uma questão de preferência pessoal.

Anônimo disse...

ISSO! Tb acho tudo pessoal! E estou começando a achar que pode dar mesmo PEQUENA MISS SUNSHINE... mas ainda é cedo...

Abs!

Kamila disse...

Uma coisa é certa, Otávio: “Pequena Miss Sunshine” vai chegar com tudo no Oscar. Ganhou o PGA, acho que ganha o SAG de melhor elenco no domingo.

Eu não ficaria nem um pouco triste em ver “Sunshine” vencedor do Oscar.

Museu do Cinema disse...

Seria uma mudança muito grande Kamila. Um filme independente de Sundance ganhar o Oscar, eu adoraria.

Kamila disse...

Seria uma mudança grande e agradável para a Academia, Cassiano.

Eu acho que esse Oscar está muito disputado. Acho que teremos muitas surpresas...

Museu do Cinema disse...

Estou esperando essa mudança desde Pulp Fiction Kamila, se bem que Forrest Gump era imbativel, mas não acho que se não existisse Gump, o Oscar seria de Tarantino. Não creio que exista essa possibilidade para PMS.

Kamila disse...

Para a conservadora Academia premiar uma visão arrojada e moderna como é a de "Pulp Fiction", ainda é quase impensável. Mas, "Pequena Miss Sunshine", apesar de independente, é um filme muito tradicional. Acho que não seria uma mudança tão drástica assim, no final.

Otavio Almeida disse...

Acho que naquele Oscar de 1994, se FORREST GUMP tivesse perdido, o prêmio ia ser de UM SONHO DE LIBERDADE, embora eu seja fanático por PULP FICTION. Acho que a Academia teria dado mais atenção para o filme do Frank Darabont neste caso...

Museu do Cinema disse...

Concordo Otávio, Pulp Fiction nunca ganharia o Oscar.