30 janeiro 2007

2001: Uma Odisséia no Espaço

2001: A Space Odyssey – Stanley Kubrick – 1968 (DVD)

Baseado no livro The Sentinel, de Arthur C. Clarke, que ajudou no roteiro junto com Kubrick, o filme é uma análise vanguardista, já que o filme data de 1968, sobre os avanços da tecnologia e a sua influência na humanidade.

É a obra mais aberta de Kubrick, é mais aberta do que qualquer filme de David Lynch. 2001: Uma Odisséia no Espaço é uma viagem, literalmente, e em qualquer sentido, ao futuro do nosso planeta. Hoje, em 2006, vemos que alguns avanços do filme de Stanley foram acertados, mas ainda estamos distantes da evolução que imaginaram, gente vivendo em outros planetas ainda é só sonho futurista.

O filme começa com uma analogia com macacos que descobrem o poder dos objetos (ossos de uma zebra), e começam a ganhar território (uma poça d’água), contra um grupo contrário. Mais tarde aparece uma grande parede de mármore (monólito), deixando-os alvoroçados. Corta então para o futuro, 2001. O astronauta Dr. Dave Bowman (Keir Dullea) recebe uma missão secreta em uma nave que aparentemente teve sua tripulação dizimada.

No centro dessa nave, o ultra-avançado computador Hal, que além da capacidade técnica extraordinária possui características humanas, como conversar e ter opiniões. A discussão gira em torno dos avanços do poderio da máquina. O final é interpretativo, eis algumas delas:

Para Antônio José, a cena final demonstra o futuro da humanidade. Rodeado por máquinas, restará ao homem apenas passar seus dias esperando a morte chegar (nada a ver com a música de Raul Seixas).

Para Gutemberg Cruz, a fita é o mapa para o destino da humanidade, o drama entre a máquina e o homem. No início o encontro entre o homem primitivo com o enigmático monólito, a consciência do poder, e um fantástico corte, o salto para milênios onde uma espaçonave sobrevoa à Terra envolta em música e movimento. A viagem pelo futuro é intensamente alucinante em cores e, como um enigma, o astronauta vê um velho que aponta para o monólito e o transforma em um bebê. Entre a música de Strauss, triunfante, o espaço infinito descortina na tela deixando a todos com uma indagação sobre o infinito. Para o cineasta o futuro está no começo da humanidade, a vida em seus primeiros anos. Caminhamos pra o nosso retorno. O bebê que vemos no final incorporado ao planeta revela um novo ser (planeta) a nossa espera.

16 comentários:

Otavio Almeida disse...

A melhor ficção científica da História! O Kubrick não estava preocupado em responder questões... a vida é assim. Nós temos que descobrir os mistérios... o desconhecido...

O Monolito Negro foi enviado por extraterrestres? É um extraterrestre? Ou o Monolito é Deus? O astronauta viaja além do infinito e encontra Deus? Não sabemos? Pode ser o que o Antonio José disse... Aliás, a cena final do bebê tem o nome de STAR CHILD no DVD. Morremos e renascemos como estrela?? Fantástico, não? Nada morre. Tudo evolui. Mas quem sabe a resposta?? Não importa. É um filme de sensações. Talvez o melhor filme já feito... Na minha lista é o terceiro.

E... vc sabe que o salto (no início) dos macacos para a conquista do espaço é a maior passagem de tempo já mostrada pelo cinema?

Grande abraço!

PS: Postei um texto sobre os 30 anos da série ROCKY. Vc gosta? Odeia o Stallone? Passa lá...

Abs!

Roberto Queiroz disse...

Adoro Kubrick, no entanto 2001 é o seu filme que menos me causa frisson (me agradam mais Laranja Mecânica e Nascido para Matar). No entanto, do ponto de vista visual é uma obra-prima (e a trilha sonora? o que é aquilo?). Considero o livro de Arthur C. Clarke bem superior ao filme.

(http://claque-te.blogspot.com): Babel, de Alejandro González Iñárritu.

Abraços do crítico da caverna.

Kamila disse...

Concordo com o Otávio: "2001 - Uma Odisséia no Espaço" é a maior ficção científica de todos os tempos. Um grande filme. Uma obra maiúscula.

E somente um exemplo dos muitos em que o Stanley Kubrick fez o casamento perfeito entre música e imagem.

Museu do Cinema disse...

Vc tá coberto de razões Otávio, o filme é aberto a interpretações, assim como a vida.

É um filmaço mesmo, entendo que seja um dos melhores filmes de ficção já feitos.

Oi Roberto, assim como em todas as obras de Kubrick, seus filmes diferem bastante dos livros adaptados, é uma caracteristica. A trilha é um dos pontos altos do filme, concordo.

Museu do Cinema disse...

Sim Kamila, faz parte da filmografia de Kubrick essa interação.

Otavio Almeida disse...

Na verdade, sempre fiquei na dúvida entre "o melhor filme de ficção científica": 2001 ou BLADE RUNNER? Até comprar o DVD de 2001, em 2004 (2001 em 2004? Hahahahaha). Talvez BLADE RUNNER seja o melhor do gênero desde 2001...

Museu do Cinema disse...

É uma luta dura Otávio, mas eu fico com 2001 de Kubrick.

O filme é perfeito tecnicamente.

Lua Obscura disse...

De facto o melhor filme de ficção científica!
Mas de Kubrick tenho outras paixões, tal como o Roberto.

Museu do Cinema disse...

O melhor filme de Kubrick na minha opinião é Barry Lyndon.

Vinícius P. disse...

Grande ficção, sem dúvida o melhor filme do Kubrick. Ainda não tenho uma teoria tão formada a respeito do final, mas essas que você citou são bem interessantes. Ótimo comentário do filme.

Museu do Cinema disse...

Obrigado Vinícius. Tentei mostrar algumas interpretações, eu tb não tenho uma formada, talvez mais parecida a do Antônio, mas não acho o melhor filme de Kubrick.

pedrita disse...

eu amo esse filme de paixão. não costumo concordar com expressões "obra mais completa", "o melhor", "não tão bom quanto". acho que a arte não pode ser dimensionada dessa forma que a empobrece. reduz muito a capacidade de percepção e análise. beijos, pedrita

Museu do Cinema disse...

Verdade Pedrita, tb acho a comparação prejudicial.

Túlio Moreira disse...

Ainda devo a mim mesmo um replay de 2001, já que a última sessão eu tinha apenas uns dez anos ou menos. Acredito que hoje iria me surpreender ainda mais.

Abraço!

MARTHA disse...

MARTHA COMENTOU:Não li o livro,porém o filme é muito intrigante como idéia criativa.A 1ªvez que assisti deu sono e não assisti até o fim.Agora me predipus assistir o final,primeiro pq adoro ficção(quando bem feita),segundo porque percebi a criatividade do filme e da história.Apesar do tempo do filme e da data futurista ultrapassada(2001),Kubrick passa a idéia até hoje de que estamos vendo o futuro no filme,daí sua genealidade cinematográfica.O filme é bom,a história muito criativa,porém achei o filme cansativo de assitir.É um filme que precisa ter paciência para ver um bom resultado.

Davifonso disse...

Recomendo o Solaris original do Tarkovsky, foi a resposta soviética (1972)ao soberbo 2001.