12 novembro 2006

Volver

Volver – Pedro Almodóvar – 2006 (Cinema)

Não posso chorar, sou um fantasma e fantasmas não choram”.

Uma marca registrada do cinema de Pedro Almodóvar é facilmente percebida – no final do filme. É quando percebemos que aquela história engraçada, louca, muitas vezes surreal, na verdade é um tremendo enredo trágico.

Penélope Cruz, linda como sempre, ótima atriz como nunca, interpreta Raimunda, mãe de Paula, cujo marido não gosta de trabalhar e vive enchendo a cara. Preocupada com a tia velha, que vive sozinha em casa, numa aldeia um pouco longe de sua cidade, Raimunda vai visita-la com a irmã, Sole (Lola Dueñas) e a filha, e nota que ela ainda vive como se sua irmã (mãe de Sole e Raimunda), ainda estivesse viva.

Carmem Maura (que volta a trabalhar com Almodóvar depois de uma briga), interpreta Irene, a mãe de Raimunda que morreu num incêndio junto com o marido numa situação ainda mal explicada.
A excelente Blanca Portillo interpreta Agustina, doente de câncer, vizinha da tia velha de Raimunda, ela ajuda a velha nos afazeres domésticos.

Volver pode ter vários significados, eu penso que significa a volta do cineasta as suas raízes, ou seja, aos filmes de alma e caráter feminino. Depois de uma mal sucedida (pela crítica) viagem ao mundo masculino em Má Educação (2004), Almodóvar retorna ao universo das mulheres, que ele considera o único, visto que todo homem nasce de uma mulher.

Sua volta é triunfal, diga-se de passagem. Volver é um filme diferente, mas nem por isso estranho. As imagens estão cada vez melhores, as cores cada vez mais lindas e vivas, a cor vermelha parece pular da tela de projeção cada vez que aparece, a beleza de Penélope Cruz ganhou exuberância nas mãos de Almodóvar. Numa cena em particular Almodóvar nos mostra que continua o mesmo, quando Raimunda (Penélope) canta Volver (na verdade dubla a cantora espanhola Estrella Morente), e nos passa a emoção da cantora, tudo isso sendo acompanhada de longe pela mãe morta, que tinha lhe ensinado essa canção. Valeu Mestre! Vuelva Siempre.
Visite o site do filme e ouça duas canções do filme e o trailer, clicando aqui.

8 comentários:

Kamila disse...

Cassiano, o próprio nome desse filme ("Volver"), já diz tudo sobre esse filme: uma volta ao universo que Almodovar tanto domina - o feminino.

Esse filme que tanto quero ver ainda não estreou aqui em Natal. Vamos ver se, nessa semana, ele aparece por aqui.

Museu do Cinema disse...

É como ele mesmo diz e coloquei no post Kamila, só existe esse universo no mundo.

Que pena que não estreou por ai, pq entre ele e Os Infiltrados, nem tem comparação.

Túlio Moreira disse...

Como volver dentre os vivos? Esse filme é a história da fênix ao avesso! Muito bom.

Museu do Cinema disse...

Esse é um filme maravilhoso Túlio, em todos os graus, vivos ou mortos.

Anônimo disse...

Um dos melhores filmes de Almodóvar.`É lindo demais, assim como Tudo Sobre Minha Mãe, que eu amo também!

Beijo

Museu do Cinema disse...

Oi Carla, obrigado pelo comentário. Volver é mesmo um filme sensacional, e o melhor dele é que fica em nossa cabeça mesmo depois de tanto tempo de termos visto. Depois veja o comentário sobre Tudo Sobre minha mãe, e aproveite também para revisitar a carreira de Almodóvar no link: http://museudocinema.blogspot.com/2006/09/pedro-almodvar.html

Anônimo disse...

almodovar é um bom cineasta. tem estilo, sem dúvida. mas, ao contrário dele e de alguns colegas que aqui postaram comentários, não acho que só exista o universo feminino no mundo. acho isso uma afirmação sexista. só por que todo homem nasce de uma mulher, significa que só existe esse universo? eita, a dignidade e a complexidade humanas foram transformadas em questões puramente biológicas. ai, meu deus, quando vão parar de menosprezar os homens... ainda bem que o grande clint eastwood ainda está na ativa.

abraços a todos.

sérgio moraes.

Museu do Cinema disse...

Oi Sérgio, eu havia feito esse comentário tb, concordo com vc, os filmes de Almodovar tem essa lógica feminina pq é delas que surgem os homens.