21 novembro 2006

Robert Altman

“Meus filmes podem não satisfazer a grande massa, mas eles não foram feitos para isso”.

Filho de uma dona de casa com um corretor de seguros, o norte-americano Robert Bernard Altman nasceu em 20 de fevereiro de 1925 em Kansas City, no Missouri. Fã de Jazz, de onde tirou a improvisação para suas películas, formou-se em Engenharia, mas nunca exerceu a profissão. Serviu a Aeronáutica como co-piloto, período em que inventou um sistema de identificação de animais de estimação por tatuagem, que batizou de “Identi-code” e que seria utilizado pelo presidente Harry Truman em seus cachorros.

Começou na profissão dirigindo diversos comerciais, telefilmes, documentários, curtas e episódios para série de TV Bonanza, até estrear na direção de um longa para cinema com Os Delinqüentes (1957), que escreveu e produziu, a um custo de US$ 63 mil. O sucesso veio com seu oitavo filme, M*A*S*H (1970), comédia ácida sobre uma unidade de médicos na Guerra da Coréia (metáfora da Guerra do Vietnã), que começava a incomodar a opinião pública norte-americana, um libelo pacifista que tirava sarro dos militares americanos, e suas paranóias comunistas e da Guerra Fria.

Dirigiu 38 filmes, produziu 28 e roteirizou dezessete. Era conhecido por imprimir um estilo naturalista, ao tentar interferir minimamente na atuação dos atores e fazer poucos cortes. Era sua marca também passear por diversos plots e subplots, que se entrelaçavam como numa dança.

“Cult Significa que não houve gente suficiente para completar uma minoria”.

Satirizou diversos aspectos da vida norte-americana, como a Guerra do Vietnã em M*A*S*H (1970) à política com Nashville (1975) à moda Prêt-à-Porter (1994), e Hollywood em O Jogador (1992) sua eterna briga.

Sua opinião sobre o meio em que trabalhava ficou mais evidente em O Jogador (1992), sobre os bastidores dos estúdios. Com o famoso longo plano-seqüência de abertura de sete minutos, uma homenagem ao cineasta Orson Welles, no clássico Marca da Maldade (1958). Depois, recebeu duras críticas por Prêt-a-Porter (1994), com Marcello Mastroiani e Sophia Loren no elenco, em que ridicularizava o mundo da moda. Ainda realizou Assassinato em Gosford Park (2001).

Desprezado pela Academia, que o indicou cinco vezes como diretor e duas vezes seus filmes, o cineasta ficou com a estatueta honorária em 2006. Teve mais reconhecimento em Cannes, que lhe deu a Palma de Ouro por M*A*S*H, em 1970, e o prêmio de melhor diretor por O Jogador (1992). Foi considerado um dos mais modernos diretores americanos, com seu estilo único de filmar, seu humor ácido e sua imensa caridade com os diferentes da sociedade, especialmente os marginalizados que sofrem de preconceitos da classe média branca americana.

Em março, ao receber um Oscar honorário pelo conjunto da obra, o diretor revelou que há onze anos havia passado por um transplante do coração. Na ocasião, em tom de brincadeira, disse que ainda teria mais 40 anos de vida.

Infelizmente a maioria de seus filmes ainda não foi lançada em DVD, por isso essa revisita a seus filmes ficarão em Kansas City (1996), A Fortuna de Cookie (1999), Dr. T e as Mulheres (2000), Assassinato em Gosford Park (2001) e A Praire Home Companion (2006).

Robert Altman (1925 – 2006).

4 comentários:

Kamila disse...

Sei que o Altman já tinha 81 anos, sei que a sua saúde andava delicada, mas não acreditei quando li a notícia sobre a passagem dele.

Ele foi um grande diretor de atores, e realizou filmes que ficarão marcados para sempre na memória de muitos. Seu nome estará para sempre nas nossas lembranças.

antônio josé disse...

hollywood perde um nome, que por ser raro, torna-se ainda mais saudoso.

altman personificou o cinema da paixão, feito com e por amor.

Túlio Moreira disse...

Pessoas, de carne e osso, se vão, infelizmente. Mas a película, se bem conservada, é eterna. Eu amo esse cara.

Vinicius P. disse...

Sem dúdiva um grande nome que nos deixa. altman era brilhante, vai deixar saudades.