16 setembro 2006

Mulheres à beira de um ataque de nervos

Mujeres al borde de un ataque de nervios – Pedro Almodóvar – 1988

"Pensei que isso só acontecesse nos filmes".

Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1989, esse é o filme mais conhecido e estilizado de Almodóvar, uma comédia rasgada onde à realidade beira o absurdo e as cores berrantes reinam. Foi o primeiro grande sucesso mundial do cineasta.

A dubladora de TV super sexy Pepa (Carmem Maura) é abandonada pelo seu amante, Ivan (Fernando Guillén), que terminou o relacionamento deixando um recado em sua secretária eletrônica. Obcecada, desesperada e à espera de explicações, ela sai a procura de Ivan por todos os cantos de Madri. Sua melhor amiga, a neurótica e burra Candela (Maria Barranco) procura refúgio na sua casa, pois recentemente descobriu que seu amante é um terrorista shiita. Entra em cena também o filho de Ivan, Carlos (Antonio Banderas), sua noiva virgem, Marisa (Rossy de Palma) e Lucia (Julieta Serrano), mãe de Carlos e ex-esposa de Ivan que tem sérios distúrbios e comportamento psicopata.

Para Peter William Evans, autor do ensaio: "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos", o filme estuda os, quase sempre hilariantes, relacionamentos entre homens e mulheres neste fim de século, o filme tem na sua personagem central, Pepa, um brilhante exemplar da moderna heroína da tela. Revigorada e autoconfiante após passar por sérios embates matrimoniais, Pepa ocupa o centro de um colorido grupo de personagens que representam um vívido perfil da sociedade espanhola de nosso tempo. O escritor nos oferece nesse livro uma análise acurada das incursões de Almodóvar nas questões de gênero, sexualidade e subjetividade. Recorrendo a um amplo leque de conceitos críticos e psicanalíticos, Evans vê em "Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos" um relato não só do fascínio muitas vezes tirânico do desejo sexual, das ansiedades que permeiam os relacionamentos e a vida em família, mas também das possibilidades de libertação pessoal. E, de quebra, examina a história recente da Espanha, inserindo as preocupações do filme na revolução social que ocorreu depois da morte do general Franco, assunto recorrente dos filmes de Almodóvar. Compre o livro
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A película foi inspirada em partes num conto de Jean Cocteau, artista francês do século XX dos mais talentosos, homossexual assumido. O longa, que custou 700.000 dólares e rendeu aproximadamente US$ 8 milhões nos EUA, e, em uma semana de exibição na Espanha, atraiu mais de 42 mil pessoas. Foi o primeiro filme produzido pela produtora do diretor espanhol a El Deseo S/A. Reparem na ponta do fantástico ator Javier Bardem entregando documentos numa empresa de advocacia.

6 comentários:

Túlio Moreira disse...

Pedro Almodóvar pode não ser um bom exemplo de diretor (e não é mesmo), mas é inegavelmente um autor da Sétima Arte. Seus roteiros incríveis e cheios de vida, se caídos nas mãos de um cineasta de verdade, renderiam obras mirabolantes do Cinema.

Museu do Cinema disse...

Pedro Almodóvar pode não ser um bom exemplo de diretor (e não é mesmo)!?! Essa frase tá certa Túlio?

O Almodóvar tem grife. É dos raros diretores, e os que estou tentando colocar aqui no blog, que se percebe ser seu filme no primeiro frame nas telas.

Acho que foi infeliz no comentário, mesmo para os que não se identificam com suas peliculas, e são vários, assim como Lynch, todo cinéfilo sabe que se trata de um nome excepcional.

Túlio Moreira disse...

o que eu quis dizer é que, do mesmo jeito que existem bons escritores que não sabem escrever, existem bons cineastas que não sabem dirigir...

OU SEJA,

Pedro Almodóvar!!!!!!!!!!!

Museu do Cinema disse...

Não entendi! Almodóvar é bom ou ruim?

Túlio disse...

Depende do seu ponto de vista: o resultado na tela é gostoso de se ver, mas como diretor ele é nota 0.. ou seja, se um filme dele é bom, é por causa do elenco e do roteiro, não pelo diretor.. Imagine, como diria um amigo meu, Hable Con Ella dirigido por Roman Polanski! Clássico instantâneo...

Museu do Cinema disse...

Sinceramente Túlio, acho que você criou um pré-conceito contra Almodóvar, não consigo entender, e muitas vezes vejo isso no Oscar, como um bom filme, com bons atores não tem um bom diretor? É quase inconcebivel. Para mim o trabalho do diretor é exatamente esse. Fazer do roteiro algo atraente para o público e fazer os atores atuarem da melhor maneira possivel, quando revejo Antonio Banderas nos filmes de Pedro Almodóvar penso se tratar de um outro ator e não o mesmo de filmes como Zorro ou Pecado Original, com Penelope Cruz a mesma coisa.