13 setembro 2006

Matador

Matador – Pedro Almodóvar – 1986

Obseda a todos. A morte. A todos obseda.

Uma crítica social com um ótimo bom humor negro, assim pode ser definido essa sátira as touradas espanholas. Diego (Nacho Martínez) um ex-toureiro ídolo em Madrid e que agora ensina jovens a seguirem carreira no “esporte”, não consegue largar o vício de matar. Um aluno, Angel (Antonio Banderas) o pede conselhos para enfrentar seu problema com a virgindade e acaba quase estuprando a namorada de Diego, Eva (Eva Cobo). Acontece que Angel é filho de uma católica fervorosa, seguidora da Opus Dei, seus traumas o levam a um tipo de sensibilidade anormal, e ele acaba se entregando a policia como estuprador de Eva e matador de outras duas mulheres mortas por Diego.

Enquanto isso, uma antiga fã de Diego, a agora advogada María (Assumpta Serna) desenvolve também um fascínio muito grande pela morte. E aceita defender Angel para se reaproximar do velho ídolo.

O universo masculino das touradas é analisado pelo lado feminino. Apesar dos protagonistas serem homens, as mulheres tem papel destacado nesse filme, além da bela María, interpretada pela famosa atriz da televisão espanhola Assumpta Serna, Eva e Carmem Maura, atriz amiga do diretor, também tem performances mais destacadas do que pelo lado masculino, bem ao estilo de Almodóvar.

Outro ponto clássico de sua filmografia que começa a ganhar caracterização e a ser percebido em seus primeiros filmes, e hoje é referencia em seu trabalho, é a fotografia de cores fortes e roupas e cenários berrantes, que o próprio cineasta faz questão de conferir pessoalmente cada detalhe da cena. O piso do chão da sala do ex-toureiro é forrado por um papel com uma espécie de mapa. A beleza e a sensualidade da mulher espanhola é colocada em cada frame da película.

Matador ainda serve de homenagem a Duelo ao Sol (1946) de King Vidor, com Gregory Peck, que é mostrado na sala de cinema durante a perseguição de Diego a María.

3 comentários:

Túlio Moreira disse...

Obseda a todos. A morte. A todos obseda. Puxa, Cassiano, acertou em cheio, logo no começo da crítica uma frase de impacto que nos deixa com vontade de ler o resto. Notável a menção que você faz do universo masculino e da importância do universo feminino dentro do filme...

abs!

Museu do Cinema disse...

Gracias Túlio.

Eu acho o Almodóvar um profundo conhecedor da alma feminina. Não sou a pessoa certa para afirmar isso, mas, como homem, acredito que suas peliculas nos mostram esse lado feminino mais aguçado.

Quanto as frases, sempre busco uma frase dentro do filme que resuma um pouco a sua história, e acho que essa se encaixa muito bem.

Lua Obscura disse...

Um dos meus favoritos