19 setembro 2006

Kika

Kika – Pedro Almodóvar – 1993

A maquiadora Kika (Verónica Forqué) é casada com o fotógrafo Ramón (Alex Casanovas). Mas ela mantém um tórrido caso com o escritor norte-americano Nicholas (Peter Coyote). Nicholas é o padrasto de Ramón. Kika passa a ser ameaçada por Juana (Rossy de Palma), sua empregada lésbica, e Andrea Caracortada (Victoria Abril), ex-namorada de Ramón e apresentadora de um reality show.

Em 1993 Almodóvar já discutia sobre os polêmicos programas de televisão que invadem a privacidade das pessoas. Os figurinos, inclusive a "roupa-câmera" utilizada por Victoria Abril e o vestido ensangüentado com os seios postiços pulados para fora, são assinados pelo estilista francês Jean Paul Gaultier, autor da roupa polêmica de Madonna que também usava os seios da cantora para provocar.

Kika é o segundo longa de Almodóvar financiado por uma produtora da França, o primeiro foi De Salto Alto (1991). Contesta que seus filmes são bem populares em várias culturas, seus temas são universais.

A habilidade do cineasta Pedro Almodóvar em contar histórias é impressionante. Quase sempre usando uma narrativa não convencional, fugindo do linear, incorporando elementos bizarros e surreais, e personagens esquisitos e originais, transformando enredos relativamente simples (como esse) em filmes muito interessantes. No fundo, todas as películas do diretor madrileno tem uma crítica social fortíssima. Mas sua forma de reclamar é original, foge do lugar comum e busca na originalidade elementos de reflexão.

Pedro é isso, original, polêmico, crítico e surpreendente.

6 comentários:

antônio josé disse...

aqui vai meu comentário sobe pedro almodóvar: maravilhoso.

suas histórias, que beiram o absurdo, tem um sentimento de realismo e crítica social poucas vezes visto no cinema. pasolini e fellini devem estar satisfeitos!

Museu do Cinema disse...

Vindo de você Antônio, um expert do cinema clássico, é um elogio consideravel.

Cinema Kabuki disse...

devo me retratar porque ultimamente tenho sido um crítico rabugento e prepotente.. realmente o que importa no Cinema não é um travelling bonito ou um plano-seqüência mirabolante, mas a emoção que o filme passa ao espectador e nisso tenho que declarar que Almodóvar é sem igual. Até mesmo porque eu não tenho uma orientação sexual padrão, muitas vezes me identifico nos filmes dele (apesar de eu não ser tão "colorido" assim).

P.S.: andei fazendo umas mudanças no blog, o endereço agora é http://cinema-kabuki.blogspot.com

abs!

Túlio

Museu do Cinema disse...

Pelo contrário Túlio, o que seria do cinema sem as críticas? Não podemos esquecer o movimento francês!

Quando comecei a fazer uma revisita nos diretores que mais gosto, minha primeira questão foi, tem que ser um cineasta com grife, que você possa identificar seu filme no primeiro frame que passa na tela.

Considero isso uma base para separar os bons dos maus, afinal diretor de cinema é o que não falta! Mas raro é realizador de cinema.

Túlio Moreira disse...

pensando melhor, acho justamente A Má Educação, um dos seus mais criticados, o seu melhor filme, talvez por ser bastante biográfico..

Quais são suas expectativas para Volver? Será que papa o Oscar dessa vez?

Kamila disse...

Curiosamente, "Kika" foi meu segundo filme de Almodóvar.

O segundo filme também que vi da Victoria Abril.

Me lembro até que eu ligava o nome dela aos filmes dele. Sem saber que ele tinha muitas outras musas. :-)

De qualquer maneira, o maior impacto que esse filme teve em mim foi em relação aos figurinos e a maneira como eles se tornaram parte importante para o relato da história desse filme.