13 setembro 2006

Fogo nas Entranhas

Fogo nas Entranhas – Pedro Almodóvar – 2000

1956

Katy era mulher de poucas palavras. Tinha um corpo tão perfeito que nem precisava falar. Além disso, sabia tirar partido daquele corpo, e essa era outra de suas muitas habilidades. Em plena guerra fria, graças à sua natural discrição, além de outras virtudes, foi lançada no mundo da espionagem. Mas um desafortunado amor – as espiãs também amam – obrigou-a a desaparecer e mudar de personalidade, maquiagem e cor dos cabelos. Refugiou-se na Espanha, onde ninguém a conhecia.

Na Espanha, estavam preparando o boom econômico; e ela, que conhecia vários idiomas, não demorou a conseguir trabalho.

Embora nunca revelasse o seu passado, demonstrou tamanhos dotes de observação que em pouco tempo acabou também trabalhando como espiã.

A “Casa Aurora”, que competia com a “Chu Ming Ho” na fabricação e venda de absorventes femininos, contratou-a para seguir de perto os planos do chinês Ming.

Quando Ming a viu pela primeira vez, não titubeou em transformá-la em sua secretária. E pouco depois, em sua amante. Katy, porém, num instante ficou cheia do chinês e de seu império comercial.

Certo dia de 1956, a espiã corria pelas escadarias do prédio que servia de casa, laboratório e fábrica de Chu Ming, perseguida pelo magnata dos absorventes femininos. Conseguiu chegar no terraço da cobertura. Lá no alto, um helicóptero esperava por ela, com um maduro e atrativo ex-agente secreto a bordo. Era um antigo louco amor de Katy, que estava abandonando tudo e ia se exilar com ela na Oceania. Pelo menos, era o que ele pretendia fazer. Katy estava entrando no helicóptero quando Ming conseguiu agarrar sua perna. A moça fez força para entrar no aparelho, enquanto propiciava ao chinês um pontapé que acertou seus bagos em cheio. Na luta, Ming tinha conseguido arrancar um dos sapatos de salto alto da moça.

O helicóptero levantou vôo e desapareceu na imensidão do céu.

O chinês sacudia ameaçadoramente o sapato, enquanto vociferava contra Katy em seu idioma materno. Era a imagem eloqüente da impotência humana.
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Um comentário:

Carla Martins disse...

O livtro é bom, a cara do Almódovar, mas eu preferi Patty Difusa.

Beijos!