17 agosto 2006

Twin Peaks

Twin Peaks – David Lynch – 1990

Inexplicavelmente, o projeto de Lynch que teve mais sucesso de público foi a série de TV, Twin Peaks (1990). Não por ser um decréscimo de qualidade em sua filmografia, muito pelo contrário, a telessérie revolucionou a forma de filmar para televisão, mas porque os trabalhos de Lynch encontram sua verdadeira significância nas grandes telas de cinema.

A série serve para Lynch explorar todos os seus delírios e bizarrices e catapulta a televisão com sucessos como Lost (2004), Família Soprano (1999), Sex and the City (1998), Friends (1994) entre outros. Mérito também do produtor Mark Frost, que enxergou naquele roteiro recusado por um grande estúdio, uma adaptação para produzir um piloto e tentar criar a série.

A premissa parte do assassinato de uma garota, Laura Palmer (Sheryl Lee), a rainha do colégio, e o choque na pequena cidade de Twin Peaks. Aos poucos vai se revelando a trama e a procura pelo assassino torna-se sobrenatural em alguns momentos, ainda revela a poeira debaixo do tapete de uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos. Aquela garota perfeita, boa estudante, filha dedicada e rainha do colégio, escondia segredos inimagináveis para a puritana sociedade dos picos gêmeos. O sucesso da série foi em parte ao suspense criado. Quem matou Laura Palmer? O agente do FBI designado para o caso, o detetive Dale Cooper (Kyle MacLachlan), com métodos poucos ortodoxos de trabalho, segue as pistas e os sonhos para desvendar esse caso, enquanto vai conhecendo os hábitos locais, e desfrutando das tortas e café, especialidades da cidade.

A série ainda ganhou dois livros para ajudar a desvendar o mistério da trama, O Diário Secreto de Laura Palmer, que narra os principais momentos da vida da jovem assassinada entre a descoberta do sexo e do amor, e vem com páginas em branco que eventualmente foram arrancadas. E o livro Dale Cooper, minha vida, minhas gravações, sobre o hábito do detetive do FBI de gravar todos os seus pensamentos dos complexos casos que investiga. Iremos descobrir o porquê da referência a Diane enquanto fala, como se ela o estivesse ouvindo.

As marcas registradas do cinema de David Lynch estão impressas também na tela da TV, as cortinas escuras (geralmente vermelhas) como num teatro, no Red Room. As personagens bizarros e nada comuns e as belas músicas, em especial a canção Falling, com letra de Lynch, melodia de Angelo Badalamenti e cantada por Julee Cruise. Para ouvir, clique aqui! Ou faça o download clicando com o botão direito do mouse e indo em salvar destino como...

3 comentários:

Dale Cooper (Túlio Moreira) disse...

David LYNCH é mais que um cineasta. É um artista. Por isso mesmo, pode criar muito bem em qualquer área (música, cinema, TV). Twin Peaks é a prova disso, e Cidade dos Sonhos, se tivesse virado série de TV, apenas ia confirmar o que estou dizendo. Se alguém quiser me presentear (indireta), BOX com os 30 delíros da série é uma ótima idéia.

OU

Mas é verdade, algumas coisas funcionam muito melhor na tela pequena.

Museu do Cinema disse...

Também aceito o presente.

Anônimo disse...

Eu estou procurando o livro Dale Cooper, minha vida minhas gravações pra comprar mas não encontro, você sabe onde posso encontrá-lo?