29 agosto 2006

Estrela Solitária

Don’t Come Knocking – Wim Wenders – 2005

The camera is panning slowly across a dramatic landscape of
desert mountains and a strangely fluorescent blue lake
sprawling under a pristine sky. Absolutely no signs of
civilization, not even a telephone wire. Over the image is
heard the desperate, almost hysterical voice of a FIRST
ASSISTANT DIRECTOR on a movie set, crackling through
a walkietalkie. (trecho inicial do roteiro)

Cenas de estradas à noite, personagens bizarros encarando o protagonista, danças estranhas no meio do nada ao som de guitarras ruidosas...

Howard Spence (Sam Shepard) ator hollywodiano que resolve, no meio de um filme, abandonar a carreira e voltar a sua vida de anônimo. Parte para reencontrar a mãe (Eva Marie Saint) que não se falam há muito tempo. Howard é o típico do adulto que ainda vive a juventude, graças, é verdade, a fama de celebridade. Deixou para trás em sua vida, a mãe, e várias namoradas em pequenas cidades por onde passou para filmar alguma produção. No reencontro materno, Howard fica sabendo que um antigo romance tinha lhe dado um filho. Partindo atrás do passado ele chega a Butte, uma pequena cidade em Montana, onde um dia conheceu a garçonete Doreen (Jessica Lange).

A segunda parceria de Shepard (história) com o diretor Wenders (dirige), antes eles haviam realizado Paris – Texas (1984), sobre o mesmo tema, o retorno ao passado, passa uma mensagem muito bonita despretensiosamente, suas imagens não chegam ao esplendor artístico de Paris – Texas, mas são características da filmografia do diretor alemão.

O elenco também se destaca, em especial Lange, Tim Roth, como um agente do estúdio que Howard trabalha, encarregado de traze-lo novamente para o set de filmagem, e Sarah Polley, do incrível Vamos Nessa! (1999), que interpreta uma garota misteriosa, mas que tem importante destaque no final da trama.

Wenders nos prova que a preocupação com a fotografia é essencial para o conteúdo. Utilizando o diretor de fotografia alemão Franz Lustig, Wim Wenders cria imagens maravilhosas, misturadas a ícones norte-americanos da pintura e da estética, como o quadro Boulevard of broken dreams, de Gottfried Helnwein.

Assista 60 segundos de bastidores das filmagens, clicando aqui!

3 comentários:

Túlio Moreira disse...

Deixei escapar de ver Estrela Solitária no Cinema, infelizmente, porque gosto de tudo o que o Wenders filmou, principalmente O Céu de Lisboa. A única obra fraquinha é O Amigo Americano, cujo prequel, por Clement, fora muito melhor.

P.S.: Quanto a ausência de longas fora do eixo americano na lista, aqui está "os 10 delírios universais dos anos 90":

1)O Carteiro e o Poeta - Michael Hadford;
2)Funny Games - Michael Haneke;
3)Underground - Emir Kusturica;
4)Central Station - Walter Salles;
5)Hana-bi - Takeshi Kitano;
6)Unagi - Shohei Imamura;
7)Lanternas Vermelhas - Zhang Yimou;
8)Trois Couleurs: Bleu - Kieslowski;
9)Ghost in the Shell - Mamoru Oshii;
10)Le Huitième Jour - Jaco van Dormael...

Alguma alteração ou discordância?

Museu do Cinema disse...

Só os 3 últimos que não conhecia, o resto tá ótimo! Principalmente O Carteiro, alias, comecei na minha cabeça a fazer a minha lista e percebi que o cinema italiano precisaria de um apenas para ele, Cinema Paradiso, A Vida é Bela, Mediterraneo. Faltou Atame, Indochine, O Convento...Acho que deveria fazer outra lista no seu blog desses filmes. Ou uma norte-americana (já fez) e outra europeia e outra asiatica e até uma nacional.

Museu do Cinema disse...

Quanto Estrela Solitária, da filmografia de Wenders, o filme q mais se assemelha é mesmo Paris - Texas, a obra-prima que fez seu nome, mas depois que ver o filme repare nas homenagens! Se não soubesse de quem era o filme, desconfiaria bastante de outro diretor.