10 agosto 2006

David Lynch

David Lynch

O cineasta norte-americano David Lynch, nascido na pequena cidade de Missoula em 1946, é um dos diretores que mais influenciou o imaginário contemporâneo. Seu estilo inconfundível criou um mito em torno de seu cinema. O anão manco e a beleza estonteante de uma loira são referências em seus frames, que ousa mostrar o feio e o belo, como a vida.

Seus filmes também são recheados de músicas, em Veludo Azul (1986) ele usou o nome da música Blue Velvet, de Lee Morris e Bernie Wayne, para dar título a sua película. Hoje a música se mistura ao filme e é impossível não associar. Também em Veludo Azul (1986), há a extraordinária e inrotulável canção In Dreams, de Roy Orbinson, tocada numa cena lynchiana. A trilha sonora é composta pelo parceiro e compositor nova iorquino Angelo Badalamenti, autor das maravilhosas composições que permeiam o cinema de David Lynch, em especial Falling, a canção tema de Twin Peaks (1990), onde a beleza da música é de uma tristeza resignadora, assim como a personagem principal.

Para o jornalista, blogueiro (blog do Gutemberg) e constante colaborador desse blog, Gutemberg Cruz, “quando se assiste a uma obra de Lynch nada é o que parece ser. Tudo pode acontecer, mas há uma sensação de estranhamento. E é desse estranhamento que se observa à caligrafia cinematográfica do trabalho de Lynch. O diretor gosta de personagens bizarros, seus encontros e desencontros são apresentados com um olhar vertiginoso, tenso. O experimentalismo sempre foi utilizado em sua obra, o lado obscuro do ser humano também. Cada obra é um cult movie. Pode-se gostar ou odiar, mas ficar indiferente, jamais. A estrada de Lynch é luminosa”.

Dizem que Lynch é o precursor do cinema independente norte-americano, tendo aberto caminho para diretores como os irmãos Coen, Jim Jarmush, Spike Lee e Quentin Tarantino. Dentre os grandes admiradores de Lynch estão Stanley Kubrick e Bernardo Bertolucci, presidente do júri do Festival de Cannes de 1990, que muitos indicaram como o verdadeiro “inspirador” do veredicto que assegurou a Palma de Ouro a Coração Selvagem (1990). Bertolucci ressaltou, na época, como o filme de Lynch possuía uma força impressionante. Já Kubrick possuía uma cópia de Eraserhead (1977) - o filme que revelou Lynch para a crítica mundial -, que projetava periodicamente em sua vila na Inglaterra, afirmando que era o único filme de outro diretor que ele gostaria de ter dirigido.

Não só no seu trabalho Lynch é “estranho”. É conhecida sua fama de obsessivo e de não ter no seu apartamento uma cozinha, um dos fatores que fez a atriz Isabella Rosselini deixá-lo. Ele é conhecido também por namorar as atrizes que filma, geralmente mulheres lindas. Teve um relacionamento, mais recentemente com Laura Dern, estrela de Coração Selvagem (1990), Veludo Azul (1986) e INLAND EMPIRE (2006).

A imagem que ilustra o post é uma homenagem aos grandes cineastas que possuem um registro, uma marca registrada de suas filmografias, algo que o torna único, e que é raríssimo hoje em dia. Este mês o blog vai visitar a obra desse genial diretor. Serão dez filmes, começando por Eraserhead e terminando pelo último dele, INLAND EMPIRE (2006) e pela avant-première do mesmo Inland Empire (2006). Todos os longas-metragens do diretor estarão em destaque, os já citados acima e mais, Uma História Real (1999), Cidade dos Sonhos (2001), Estrada Perdida (1997), Os Últimos Dias de Laura Palmer (1992), Duna (1984) e O Homem Elefante (1980), todos disponíveis em DVD.
Como parte da revisita a Lynch iremos trazer um post de uma exposição, em parceria com o designer de sapatos Christian Louboutin, chamada FETISH, veja aqui.
(Adicionado em 17/12/2007) Veja aqui o clipe dirigido pelo cineasta para a Gucci.
(Adicionado em 06/11/2008) Leia aqui resenha do novo livro do cineasta, Em Águas Profundas.

6 comentários:

Kamila disse...

Por mais "estranho" que David Lynch possa parecer, por mais loucas (e aclamadas) que suas obras possam ser; eu não consigo apreciar seus filmes da maneira que eles merecem ser. O único filme que ele fez e que é do meu apreço é "História Real" (um filme belo e sensível) - e, curiosamente, este é o filme mais convencional da filmografia do Lynch.

Museu do Cinema disse...

Kamila, foi como Gutemberg falou, por mais estranho que possa parecer, Lynch jamais será indeferente. Mas "aceitar" a sua obra não é nada fácil mesmo! Quanto a História Real, é mesmo um belissimo filme, e algo incomum na carreira do diretor.

leandro disse...

ADOREI O FILME .AMEI A TRILHA SONORA .DAVID BOWIE É PERFEITO.

Bombaata disse...

o proprio Lynch diz que faz o filme pensando nele, na maneira como ele gostaria de ver o filme e atira dizendo que as pessoas devem ter suas proprias percepçoes sobre seus filmes. Nada é obvio, vc tem que botar a cuca pra funcionar pra entender os longas.
Tenho que ver a Estrada Perdida, mas tá muito dificil achar...
abs

Vulgo Dudu disse...

O cinema do Lynch pode parecer estranho, mas nem é. Ele apenas joga com a linguagem cinematográfica. É um criador de climas, texturas, e não de histórias. Não que isso seja bom ou ruim, genial ou idiota. Apenas é assim.

Eu acho ele genial, com uma rubrica só dele. Difícil de copiar.

Abs.

Infinito Particular disse...

Belo post.
Gostei muito do seu blog.

E David Lynch ... intrigante, louco e sensacional ;)