24 agosto 2006

avant-première

INLAND EMPIRE – David Lynch – 6 de setembro (Festival de Berlim, na Sala Grande do Palazzo del Cinema). Passado no chamado Inland Valley, no subúrbio de Los Angeles, o filme é um mistério envolvendo uma mulher com problemas. O filme foi rodado sem roteiro, o cineasta criava a cena e rodava. Pelas fotos, divulgadas num vídeo sobre as filmagens pelo site canal+, percebe a utilização de cenas do circo polonês chamado “CYRK ZALEWSKI”, uma espécie de Cirque de Soleil mais humorístico e tradicional.

O título se refere a uma área bastante residencial, pouco habitada, na divisa entre Los Angeles e o deserto californiano – San Bernardino, Chino, Ontario e outras cidades, são denominadas de "Inland Empire".

Segundo Joan Didion (“Some Dreamers of the Golden Dream") o local é descrito como: “onde morrem os sonhos de Hollywood”. Lynchiano demais. No elenco Laura Dern, Jeremy Irons, Harry Dean Stanton, Justin Theroux, Julia Ormond e Michael Paré. Segundo o diretor o título do filme se escreve em letras maiúsculas.
Lynch, que nos últimos anos dedicava-se apenas aos curtas-metragens – disponíveis no seu website – volta com um novo trabalho, que ele próprio financiou e produzido pela sua ex-mulher, Mary Sweeney, juntamente ao Studio Canal.

Com o nome INLAND EMPIRE (sim, se escreve em letras maiúsculas), a obra foi filmada nos últimos dois anos na Polônia e nos EUA, “Acredito na unidade das coisas. Quando há uma primeira parte de algo e uma segunda parte que não tem relação com a primeira, é muito curioso descobrir que no fundo elas têm coisas em comum. É maravilhoso quando isso acontece", afirmou o cineasta.

O longa vai utilizar a mais moderna tecnologia digital. Lynch mostrou-se fascinado com elas, pois oferecem uma enorme liberdade nas filmagens e na pós-produção, assim como conseguem, dos atores, o que o celulóide não conseguiria. Assista essa vídeo pra lá de esquisito do próprio Lynch, clique aqui.

2 comentários:

Túlio Moreira disse...

Puxa, eu realmente não sei o que esperar de uma co-produção EUA-Polônia-França, filmada por LYNCH e, pior (ou seria melhor?), sem roteiro prévio. LYNCH é igual esses caras como Polanski, ALTMAN, De Palma, que, apesar do peso da idade nas costas, continuam conseguindo nos mostrar grandes obras.

De qualquer forma, estamos precisando é mesmo disso: CINEMA AUTORAL!!!! Só registro meu descontentamento quanto à utilização de vídeo digital, já que as palavras "35 mm", "Cinemascope" ou "projetor" carregam muito do espírito original do Cinema...

Museu do Cinema disse...

Não se esqueça que o pessoal do cinema mudo também foi contra o uso dessas tecnologias que hoje você quer manter. A vida é assim mesmo, acho que a tecnologia quando usada para melhorar a qualidade sem prejudicar é sempre bem vinda, ainda mais na mão de cineastas como Lynch.