30 julho 2006

Superman Retorno

Superman Returns – Bryan Singer – 2006

“O pai que se torna o filho, e o filho que se torna o pai.”

Superman talvez seja o desenho mais complexo de toda a história das HQ’s. A mitologia em torno do homem de aço é enorme, assim como seus fãs. Richard Donner transformou essa grandeza toda em um filme espetacular com Superman – O Filme (1978). Superar e fazer do mito uma franquia, como hoje em dia é usual, vide Homem-Aranha (2002), X-Men (2000), Batman Begins (2005), e outros por surgir, é algo muito complicado e nem todos os cineastas estão preparados para isso. Singer com certeza é o primeiro nome da lista dos diretores certos para essa empreitada.

Bryan Singer estreou no cinema com o excelente longa metragem Linha Direta – Public Access (1993) e tem ainda no currículo Os Suspeitos (1995) e O Aprendiz (1998). É de longe um grande condutor nas adaptações das revistas em quadrinhos para a grande tela, ele foi o responsável pelos 2 primeiros X-Men, e não foi diferente com Superman. Partindo da premissa justificável de ser uma continuação do filme de Richard Donner, Singer imprimiu logo nos minutos iniciais uma homenagem a Donner e ainda contou com a “colaboração” de Marlon Brando como Jor-El, depois tratou de colocar em prática as suas habilidades.

O roteiro é o grande aliado e o grande inimigo. Como o filme é uma continuação, ele parte da premissa que Superman/Clark Kent (o ator de TV, Brandon Routh) ficou 5 anos afastado. E o mundo continuou sem ele, sua amada Lois Laine (Kate Bosworth) casou e tem agora um filho, e ainda faz sucesso com o artigo intitulado “Porque não precisamos de Superman” que lhe rendeu um Pulitzer*. O problema é que fica mais do que na cara que os dois são a mesma pessoa. Outro ponto negativo do filme é a personagem de Lex Luthor (Kevin Spacey), enquanto que Gene Hackman tinha um duplicidade de personalidade extraordinária, variando do vilão sério ao vilão engraçado com a categoria que lhe é peculiar, Spacey apenas ensaia essa performance, que em nenhum momento é bem sucedida, apesar de ser um grande ator.

Luthor, agora um bilionário graças a uma herança de sua esposa, uma senhora da terceira idade, planeja roubar fragmentos do planeta Krypton, incluindo a famosa kryptonita, no Museu de História, e faze-lo de continente jogando, através de um lança-mísseis, no mar de NY!? Mas o grande defeito de Superman Retorno ainda estará por vir. É que teremos mais continuações, e ai não há criatividade no mundo que sustente, vira espetáculo para fazer caixa.

Enfim, o bom mesmo do espetáculo é ouvir novamente a legendária e arrepiante trilha sonora de John Williams, que continua com a mesma vitalidade do homem de aço, e fica incrível como sem ela parece que nosso super-herói é um simples mortal.

* Maior condecoração da literatura mundial.

6 comentários:

antônio josé disse...

hoje parece que há uma preocupação por parte dos grandes estúdios em manipular filmes para que se transformem em "séries". deixei de assistir esses tipos de filmes há algum tempo e acho que a tendência é só piorar. ou há a conscientização por nossa parte ou o jogo vai ser esse.

Kamila disse...

Cassiano, gostei bastante de seu texto. E acho que o Bryan Singer foi muito respeitoso com o universo cinematográfico criado por Richard Donner para o Superman. Ao mesmo tempo, ele segue essa tendência da indústria de criar um filme pensando nas suas possíveis continuações.

Concordo a respeito da atuação de Kevin Spacey. Achei que ele interpretou o Lex como um lunático. Mesmo assim, ainda acho o núcleo dele um dos pontos fortes do filme - especialmente a personagem da excelente Parker Posey.

Não gostei da Kate Bosworth como Lois Lane. Acredito que ela levou sua personagem muito a sério. Não se divertiu como devia.

Brandon Routh incorpora com perfeição o biotipo do Superman e não compromete.

E não posso deixar de concordar com sua última afirmação. Assim que comecei a ver a sequência inicial de créditos de "Superman - O Retorno", não pude deixar de conter um sorriso ao escutar a trilha de Williams. Simplesmente clássica!

Museu do Cinema disse...

Realmente Antônio, vc tem toda razão em não ir ao cinema. Tira um pouco da diversão você saber que haverão mais continuações daquele filme, que já é um remake.

Museu do Cinema disse...

Valeu pelo comentário Kamila, e apesar de não citar no meu post também tive a mesma opinião em relação a Kate Bosworth como Lois Lane. Talvez até por isso (ela ficou apagada) não citei.

Kamila disse...

Cassiano, achei que você iria se interessar em ver o poster de "Flag of Our Fathers". Eu adorei o poster:

http://images.usatoday.com/life/_photos/2006/08/02/flags-large.jpg

Museu do Cinema disse...

Vi sim Kamila, ficou sensacional. Valeu pela lembrança!