11 junho 2006

House of Sand

Casa de Areia – Andrucha Waddington – 2005

Sob os belíssimos lençóis maranhenses, em 1910, uma mulher grávida é levada pelo marido para morar no meio do deserto de areia. Áurea (Fernanda Torres) e sua mãe (Fernanda Montenegro) acabam por viver 59 anos lá depois da morte do marido. Enquanto Áurea vive pensando em ir embora, sua mãe Dona Maria, rapidamente se adapta a vida no meio do nada. Enquanto isso, algumas pessoas que vivem numa espécie de quilombo, ajudam as mulheres a sobreviverem ali, Seu Massu (Seu Jorge) acaba por se apaixonar por Áurea e a dificultar sua viagem de volta.

Vencedor do Alfred e Sloan Prize do Festival de Sundance, Casa de Areia é um filme muito bem feito, com um roteiro bem escrito, uma belíssima fotografia, que consegue mostrar a beleza desértica dos lençóis sem usar truques que maquiam a verdade, belas interpretações, em especial a de Fernanda Torres, que mostra que talento pode ser hereditário, e uma direção segura de um cineasta que vem tentando escrever seu nome na pequena constelação de grandes diretores do cinema nacional. Talvez o único grande problema do filme foi a de utilizar muito a presença de Fernando Montenegro. Uma maquiagem bem feita resolveria o que veio a se tornar um problema, talvez para explorar seu nome internacionalmente.

A poesia do filme está no roteiro, escrito pela parceira de longa data de Waddington, Elena Soarez, que escreveu também o roteiro da série televisiva Cidade dos Homens.

O grande mérito do filme é extrair do nada uma história que prende a atenção, exatamente a mesma premissa que o roteiro é finalizado. Coincidência ou não, o filme acaba mostrando o quanto o nada pode ser relativo.

3 comentários:

Kamila disse...

Hum, vamos discordar de novo aqui, Cassiano. Odiei "Casa de Areia" e coloquei o filme na minha lista de piores do ano passado. Achei um filme muito pretensioso, com uma história paradíssima. Só se salva mesmo a excelente fotografia, a trilha sonora e a atuação das Fernandas.

Museu do Cinema disse...

Sua crítica é válida Kamila, o filme é lento, assim como a vida naquele lugar deveria ser, no meio do nada. Mas o nada é relativo, como é falado no fim do filme quando a Fernanda Montenegro (velha) pergunta a Fernanda Montenegro (nova) o que os homens descobriram na lua. Nada, só areia.

Museu do Cinema disse...

Agora Kamila, para finalizar, o filme não é um Central do Brasil e muito longe de ser um Cidade de Deus. Mas é um bom filme nacional, que é sempre bom darmos valor.