17 maio 2006

Trecho do livro O Código Da Vinci

The Da Vinci Code – Dan Brown – 2003

“A única coisa que realmente importa é o que você acredita”.

Museu do Louvre, Paris
22:46

O renomado curador Jacques Saunière percorreu cambaleante a arcada abobadada da Grande Galeria do museu. Lançou-se de encontro à pintura mais próxima que enxergou, um Caravaggio. Agarrando a moldura dourada, o homem de 66 anos puxou a obra-prima para si até despencar para trás, arrancando o quadro da parede e caindo de qualquer jeito por baixo da tela.

Como havia previsto, um portão de ferro desceu, com grande estrondo, ali perto, lacrando a entrada do conjunto de salas do gabinete. O assoalho de parque tremeu. Bem distante, um alarme começou a soar.

O curador ficou ali deitado um instante, arquejante, avaliando a situação. Ainda estou vivo. Rastejando, saiu de baixo do quadro e esquadrinhou o ambiente cavernoso, procurando onde se esconder.

Uma gélida voz soou, assustadoramente próxima.

- Não se mexa.

De quatro, o diretor paralisou-se, virando a cabeça devagar.

A apenas cinco metros, diante do portão lacrado, a silhueta monstruosa de seu agressor espreitava-o por entre as barras de ferro. Era espadaúdo e alto, pele branca como a de um fantasma e cabelos também brancos e ralos. As íris eram rosadas, com pupilas vermelho-escuras. O albino sacou uma pistola do casaco, e, passando o cano entre as barras, apontou-a diretamente para o diretor.

- Não devia ter fugido. – O sotaque dele era indefinível. – Agora me diga onde está.

- Eu já lhe disse – gaguejou o diretor, ajoelhado e indefeso no chão da galeria. – Não faço a menor idéia do que está falando!

- Mentira sua. – O homem estava perfeitamente imóvel, a não ser pelo brilho de seus olhos fantasmagóricos, cravados em Saunière. – Você e sua fraternidade possuem uma coisa que não lhes pertence.

O curador sentiu uma torrente de adrenalina na circulação. Como era possível que ele soubesse disso?

- Esta noite ela voltará para as mãos dos guardiães corretos. Diga-me onde está escondida, que pouparei sua vida. – O homem ergueu a arma até a altura da cabeça do curador. – É um segredo pelo qual o senhor morreria?

Saunière não conseguia respirar.

O homem inclinou a cabeça, fazendo mira.

Saunière levantou as mãos.

- Espere – disse, devagar. – Vou lhe contar o que precisa saber. – O curador pronunciou as palavras seguintes com imenso cuidado. Havia ensaiado várias vezes a mentira que contou...rezando a cada vez para jamais ser obrigado a utilizá-la.

Quando o curador terminou de falar, o atacante sorriu, pretensioso.

- Sim, Foi exatamente isso o que os outros me disseram.

Saunière encolheu-se. Os outros?

- Eu também os encontrei – disse o gigante, sarcástico. – Todos os três. Confirmaram o que acabou de me dizer.

Não pode ser! A verdadeira identidade do curador, assim como as de seus três guardiães, era quase tão sagrada quanto o segredo antiqüíssimo que eles protegiam. Saunière agora percebia que seus guardiães, seguindo à risca os procedimentos, haviam contado a mesma mentira antes de morrerem. Fazia parte do protocolo.

O atacante tornou a mirar.

- Quando o senhor tiver morrido, eu serei o único a saber a verdade.

3 comentários:

antônio josé disse...

isso foi para dar água na boca? pois conseguiu. li algumas criticas que dizem que só gostam do filme quem leu o livro?!? e eles esperavam o que?!?

Museu do Cinema disse...

Vi sim Antônio, li tb uma crítica pesada do festival de cannes onde riam nos momento cruciais do filme, li tb uma critica muito positiva no New York Post, dê uma olhada: http://www.nypost.com/movies/66112.htm

Amanhã é o grande dia

Kamila disse...

O Ron Howard está decepcionado com a recepção que os críticos estão dando ao filme. Mas, o público parece que está gostando. Eu vou assistir "O Código da Vinci" amanhã e estou ansiosa para saber o que vou achar do filme.