22 janeiro 2006

Malèna

Malèna – Giuseppe Tornatore – 2000

“Ma I’amore no L’amore mio non può. Disperdersi nel vento con le rose. Tanto è forte che non cederà. Non sfiorirà. Io lo veglierò. Io lo difenderò. Da tutte quelle insidie velenose. Che vorrebbero strapparto al cuor. Povero amor”. – Ma L’amore no (D’anzi/Galdieri - 1942), interpretata da Alida Valli.


O cinema italiano talvez seja o mais poético, surreal e sonhador, dentre as culturas cinematográficas mais conhecidas mundialmente. Mediterraneo (1991), de Gabriele Salvatores, O Carteiro e o Poeta (1994), apesar de ser dirigido por um indiano, Michael Radford, e o clássico A Vida é Bela (1997), para ficar entre os mais recentes, são grandes exemplos dessa veia italiana para a poesia na sétima arte. Maléna segue a mesma receita, e, sob o olhar de um garoto de 12 anos, Renato, narra sua primeira paixão por uma mulher adulta, na sua descoberta pelo sexo oposto. Coincidentemente, é a época da II guerra mundial e a Itália, de Mussolini se envolve na ajuda ao amigo Hitler. Renato, um pré-adolescente, ganha sua primeira bicicleta e vive a angústia de ter calças compridas. Mas o filme não fica só nesse tema, ele ainda explora a beleza e como ela é vista na sociedade, no caso da película, a pequena cidade de Castelcutò, na Sicília. Maléna (Monica Bellucci), desperta nos jovens e adultos da cidade uma atração irresistível, passando a ser alvo dos olhares de todos. Depois de receber a noticia da morte do marido, ela torna-se o assunto preferido da cidade, sua precoce viuvez transforma os habitantes da cidade, que passam a difamá-la e inventar histórias, Sem perceber, ela ganha um protetor no jovem apaixonado Renato.

Renato é a figura do autor/diretor, seus sonhos em que revive com Malèna grandes passagens do cinema norte-americano, é mais uma homenagem de Tornatore, depois da ode de Cinema Paradiso (1988). A beleza e performance de Bellucci dão o toque real ao filme, que muitas vezes usa do exagero, tipicamente italiano, para contar a história. A imagem de Monica com a música do mestre Ennio Morricone é a simbiose perfeita que Tornatore desejou transmitir desde o inicio, e, em algumas cenas, o faz magistralmente.
Indicado a dois Oscar: Melhor trilha sonora (Ennio Morricone) e Melhor Fotografia (Lajos Koltai).

"Mas o amor não. O meu amor não pode perder-se no vento com as rosas. É tão forte que não cederá, não murchará. Eu o vigiarei, eu o defenderei de toda insinuação venenosa, que do coração o querem arrancar. Pobre amor."

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