23 setembro 2005

magnólia

magnólia (Paul Thomas Anderson - 1999)

No New York Herald do dia 26 de novembro de 1911 há o relato do enforcamento de três homens. Morreram pelo assassinato de Sir Edmund William Godfrey, marido, pai, farmacêutico e um versátil cavalheiro que residia em Greenberry Hill, Londres. Foi morto por três vadios cujo motivo era simples assalto. Foram identificados como: Joseph Green, Stanley Berry e Daniel Hill. Green, Berry, Hill. E quero pensar que foi apenas uma coincidência.

Conforme relatado no Reno Gazette de junho de 1983 tem a história de um incêndio a água necessária para contê-lo e um mergulhador chamado Delmer Darion. Funcionário do Hotel e Cassino Nugget, Reno, Nevada, contratado como carteador de vinte-e-um. Benquisto e estimado como uma pessoa ativa, um esportista, a verdadeira paixão de Delmer era o lago. Segundo o médico legista, Darion morreu de ataque cardíaco em algum lugar entre o lago e a árvore. Mas o mais curioso foi o suicídio no dia seguinte de Craig Hansen, bombeiro voluntário, alienado pai de quatro crianças, com forte tendência a se embriagar. Ele era o piloto do avião que casualmente puxou Delmer Darion da água. Além disso, o Sr. Hansen havia conhecido Delmer Darion duas noites antes. O peso da culpa e a enorme coincidência levaram Craig Hansen a cometer suicídio. Estou tentando pensar que tudo não passou de uma coincidência.

A história contada em 1961, num jantar para a Associação Americana de Ciência Forense pelo Dr. John Harper, presidente da associação começou com uma simples tentativa de suicídio. Sydney Barringer, de 17 anos na cidade de Los Angeles, no dia 23 de março de 1958. Segundo o legista, o suicídio fracassado, de repente, se tornara um homicídio bem sucedido. Ou seja, o suicídio foi confirmado por um bilhete no bolso direito da calça de Barringer. Ao mesmo tempo em que estava na beira do terraço de um prédio, uma briga acontecia três andares abaixo. Os vizinhos ouviram, como sempre, a discussão dos inquilinos. Era comum ameaçarem um ao outro com uma espingarda ou uma das várias pistolas que tinham em casa. Quando a espingarda acidentalmente disparou Sydney estava passando. Além disso, os dois inquilinos eram Fay e Arthur Barringer, a mãe e o pai de Sydney. Quando confrontados pela acusação que demorou para os policiais desvendarem a cena do crime. Fay Barringer jurou que não sabia que a arma estava carregada. Um garoto que morava no prédio e que as vezes ia visitar Sydney Barringer disse que tinha visto, seis dias antes, a arma ser carregada. Parece que a briga, a discussão, tanta violência era demais para Sydney Barringer. Sabendo da tendência dos pais para brigar resolveu fazer algo. Sydney pula do nono andar. Seus pais discutem três andares abaixo. O tiro acidental atinge o estômago de Sydney, quando ele passa pela janela do sexto andar. Ele morre instantaneamente, mas continua a cair deparando, cinco andares abaixo, com uma rede instalada três dias antes por lavadores de janelas e que lhe teria salvado a vida se não fosse pelo buraco no estômago. Assim, Fay foi acusada do assassinato de seu filho e Sydney Barringer ficou conhecido como cúmplice de sua própria morte.


É como os livros nos ensinam: “O passado já era para nós, mas não nós para o passado.” Bebendo da fonte de Robert Altman ao retratar várias histórias paralelas que se entrelaçam, Paul Thomas Anderson, marca seu nome na história do cinema no seu terceiro longa-metragem (antes vieram Jogada de Risco e Boogie Nights). São nove personagens centrais, Frank T. J. Mackey (Tom Cruise), um guru que ensina os homens a conquistar as mulheres e “domá-las” ao seu estilo. Claudia (Melora Walters) uma prostituta viciada em cocaína que sofreu abuso na infância de seu próprio pai, o famoso apresentador do programa What do kids know? (O que as crianças sabem?) Jimmy Gator (Philip Baker Hall). Stanley Spector (Jeremy Blackman) um menino gênio que vive com o pai e divide seu horário em ir as aulas e responder perguntas no famoso programa de TV. Donnie Smith (William H. Macy), que quando garoto ficou famoso no programa e hoje, adulto, tem dificuldade em assumir seu homossexualismo e ser competente no que faz. Phil Pharma (Philip Seymour Hoffman), enfermeiro que trabalha para um doente terminal Earl Partridge (Jason Robards) e se envolve com a história do paciente de procurar o filho. Linda Partridge (Julianne Moore) a esposa de Earl que casou por dinheiro e hoje, apaixonada pelo marido se sente mal por estar por receber toda a herança do marido. E Jim Kurring (John C. Reilly) um policial que busca andar sempre na linha e uma companhia feminina para estar ao seu lado.


Segundo o diretor, roteirista e produtor Paul Thomas Anderson, o filme nasceu da adaptação das músicas de Aimee Mann, portanto é normal que o filme se entrelace com suas canções e que frases sejam ditas iguais às estrofes das músicas, como a que é dita por Claudia - “agora que nos conhecemos, você se importaria de não nos vermos mais?” - da música Deathly. Ou, ainda, no momento em que os personagens principais do filme cantam a música “Wise Up”, cujo refrão diz: “Isso não vai parar, até você se levantar.”


O filme é uma fábula moderna e os espectadores, de alguma forma, se identificam com um ou mais personagens da história, mas muitos saem falando da famigerada chuva de sapos. A chuva tem explicação, muitos dizem que ocorre devido a um fenômeno causado por furacões, que pegam os sapos, em virtude da sua falta de mobilidade, e depois os jogam em outros locais. Existem publicações a esse respeito. Porem, a melhor forma de explicar o fato é feita pelo personagem mais “sábio” da história, Stanley Spector, que lê o livro sobre Charles Frost, estudioso de fenômenos estranhos, e em quem Anderson se inspirou, “essas coisas acontecem”. Ou no quadro da casa da personagem Claudia, onde está escrito: “but it did happen” – mas isso aconteceu. Coisas estranhas acontecem o tempo todo, é só olharmos um pouco ou buscarmos nos jornais as notícias mais absurdas para as vermos lá, mas, “se fosse num filme, eu não acreditaria.”

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