15 junho 2020

Um Estado de Liberdade

Free State of Jones - Gary Ross - Netflix (2016)

Um dos momentos mais belos da carreira de um dos maiores astros do cinema norte-americano, Jack Nicholson, é quando ele, interpretando o astronauta aposentado Garrett Breedlove em Laços de Ternura (1983), diz: - No espaço, o silêncio é absoluto, o único som que se ouve é o de seu coração batendo.

No momento em que gritaria, caos, mortes, bagunça e vandalismo, incentivados por artistas, é a realidade do planeta terra, essa frase é quase uma oração.

No filme Um Estado de Liberdade, logo após o enforcamento de dois meninos que lutavam junto com ele, e percebendo o conflito racial que tinha dentro do grupo, Newton (Matthew McConaughney) chama todos, brancos e negros, pra homenagearem os garotos e faz um discurso emocionado, associando a palavra negro a prisioneiro.

- Eles eram primos de alguém, irmãos, filhos, mas para eles (o Estado contra os quais lutavam) eram só negros. Um dia alguém aqui (branco ou negro) será o negro de alguém.
- Sr. Moses (Mahershala Ali), você é negro?
- Não, não sou.
- Porque o Sr. não é negro?
- Porque sou um filho de Deus. E um filho de Deus não é negro de ninguém.
- Sim, um filho de Deus não é negro de ninguém.

A liberdade é o bem mais precioso que temos, os grandes pensadores da humanidade já disseram isso. Mas a liberdade não vem no sangue, não vem na cor, não passa de geração a geração, ela precisa ser regada, vigiada diariamente, porém essa liberdade acaba quando começa a do outro, Martin Luther King já alardeava isso.

O filme é sobre isso, mas também é sobre verdade. A história real (verdadeira Saga) de Newton Knight, que na guerra civil lutou ao lado dos confederados, recebe a visita do sobrinho que morre numa batalha. Já contrariado por estar ali, ele resolve desertar e levar o corpo do menino à irmã, no Mississippi. No retorno, decide ficar e lutar junto com suas vizinhas, contra o Estado que recolhe as colheitas delas para fornecer aos soldados. Perseguido, vai parar nos pântanos junto aos negros que fugiram da escravidão.

Os fugitivos do Estado, juntamente com os fugitivos da escravidão, começam a organizar ações, lideradas por Newton Knight, para cortar os confiscos, previstos em lei, das produções dos fazendeiros locais. A força deles acaba incomodando o establishment (qualquer coincidência com o Brasil não é mera coincidência).

Uma das cenas mais fortes, o corajoso diretor Gary Ross, lembrando que Hollywood é uma facção do partido democrata, invoca o Hino da Batalha da República com Newton e sua tropa marchando para votarem, um direito recém-adquirido pelos negros, His Truth is Marching On, A verdade de Deus está vindo marchando. Ao chegarem no local da votação, os democratas, a esquerda norte-americana, sumiram com os votos republicanos, da direita.

Algumas verdades sobre esse período negados e omitidos por muitos:
100% dos Republicanos votaram para libertar os escravos. Apenas 23% dos Democratas.
94% dos Republicanos votaram para tornar os escravos cidadãos norte-americanos. 0% Nenhum Democrata.
100% dos Republicanos votaram para dar direito aos escravos libertos de votarem. 0% Novamente, nenhum Democrata.

É um erro popular muito comum acreditar que aqueles que fazem mais barulho a lamentarem-se a favor do público sejam os mais preocupados com o seu bem-estar. Edmund Burke.

Um comentário:

Kamila Azevedo disse...

Esse tem na Netflix, mas ainda não assisti. Está na minha lista!