20 janeiro 2020

Federico Fellini

Um homem elegante de gravata e óculos escuros persol, passeia no que parece ser um jardim. O sol escaldante não muda a graciosidade dele. Ao seu lado, um grupo de palhaços faz algazarra com o pessoal que passa por ali. O caminhar do homem é reto, ritmado e totalmente alheio a sua volta. Francesco! Ouve ao longe numa voz feminina. O homem para. A câmera por trás dele, subitamente, acelera em sua direção, no exato momento em que ele vira para trás.

Essa simples cena, se filmada por Fellini, viraria um ícone do cinema mundial.

Federico Fellini nasceu em Rimini, na região de Emilia-Romagna, Itália, em 20 de janeiro de 1920. Aos 20 anos, mudou-se para Roma e foi trabalhar como cartunista em alguns jornais da cidade. Em 1944, com 24 anos, abre a loja Funny Face Shop, onde faz caricaturas dos moradores e turistas, principalmente soldados norte-americanos. Rostos de traços fortes e cercados de figuras grotescas. Cria-se assim uma das expressões mais famosas da história da 7ª arte: "Fellinianos" ou "Felliniescos". Graças a essa habilidade, o cineasta ficou amigo do comediante Aldo Fabrizi, que chamara a atenção de Roberto Rossellini para participar de Roma, Cidade Aberta (1945), através de Fellini, Rossellini convidou Aldo e ganhou um novo roteirista para seu filme.

Em sua nova atividade, Fellini começa a se interessar pela direção, várias vezes visitava sets de filmagens das películas que roteirizava, cinco anos depois codirigiu Mulheres e Luzes (1950). Mas foi o amigo Michelangelo Antonioni quem deu a primeira oportunidade para Federico. Antonioni desenvolveu e criou a história de Abismo de um Sonho (1952) e deu ao produtor Carlo Ponti, que chamou Fellini para roteirizar. Michelangelo, porém, saiu da produção e Ponti deu ao novato a direção do filme.

No inicio dos anos 1960, Fellini descobre os estudos do psicanalista Carl Gustav Jung, e logo se familiariza com suas ideias sobre significados dos sonhos e o inconsciente coletivo. Federico passa a criar um método: ao acordar, senta numa mesa e desenha seus sonhos. Assim nasceram grandes clássicos do cinema que serão revisitados nessa retrospectiva que o Museu do Cinema fará a partir de hoje, dia que Federico Fellini completaria 100 anos. O cineasta passa assim a fulgurar na Sala Vip do Museu.

Farão parte dessa revisita a obra de Fellini os filmes: A Doce Vida (1960),  (1963), Roma de Fellini (1972), Amarcord (1973), E La Nave Va (1983), Ginger e Fred (1986).

Um comentário:

Kamila Azevedo disse...

Um dos grandes do cinema! Simples assim!