12 agosto 2019

Era uma Vez em... Hollywood


Once Upon a Time in... Hollywood - Quentin Tarantino - 2019 (Cinemas)

"Eu vou fazer filmes italianos, esse é  problema! Droga, é uma merda. Ninguém vai lembrar dessa merda depois, exceto alguns esquisitos".

Em 2003, durante uma entrevista na TV, o cineasta Quentin Tarantino acabou discutindo com uma repórter sobre a possibilidade de crianças assistirem Kill Bill Vol. 1 (2003). O cineasta deixou claro que cinema é cinema, e vida real é vida real. Enquanto a jornalista repetia seu mantra de que a violência gerava espectadores assassinos.

Era uma Vez em...Hollywood é a brilhante resposta do diretor aos repetidores de mantras.

A trágica história real da vida da atriz Sharon Tate (Margot Robbie) serve como pano de fundo para Tarantino explorar tudo que controla como ninguém: diálogos sensacionais, imagens estupendas, atuações inspiradas, roteiro brilhante e um diretor no auge de sua notável carreira. Acreditem, estamos vivenciando a história de um cineasta que estará sendo apreciada, estudada e reverenciada daqui há 100 anos.

Amparada na atuação da dupla Leonardo DiCaprio e Brad Pitt, que Quentin Tarantino descreveu como: "a dupla dinâmica de astros mais excitante desde Robert Redford e Paul Newman", o filme se divide entre os dois, o astro em declínio Rick Dalton (DiCaprio) e seu dublê Cliff Booth (Pitt). Juntos fazem as melhores cenas da película, separados, protagonizam cenas inesquecíveis, como exemplo a cena de luta de Cliff com Bruce Lee (Mike Moh), ou a conversa emocionante de Rick com a atriz mirim Trudi (Julia Butters).

Era uma Vez em...Hollywood é uma homenagem a um punhado de diretores, Sergio Leone entre outros, e é o filme mais pessoal de Tarantino, segundo o próprio. Porém, ouso dizer, só abrilhanta e homenageia uma filmografia perfeita de um cineasta que está no panteão dos grandes nomes da história da 7ª arte.

Um comentário:

Kamila Azevedo disse...

Assisti ontem a este filme, Cassiano. Confesso que me incomodei com vários aspectos da obra. Entretanto, é inegável que o filme tem aspectos técnicos muito bons e um elenco competente. Após assisti-lo, não acho que seja fundamental para a plateia ter o entendimento sobre quem foi Sharon Tate e o trágico destino que ela teve - até mesmo porque a intenção de Tarantino foi não se debruçar sobre isso.