01 julho 2019

Chernobyl

Chernobyl - Johan Renck - 2019 (HBO)

Qual o custo de uma mentira?

Em 1986, o mundo foi sabendo, aos poucos, de uma explosão numa usina nuclear em Pripyat, na Ucrânia, onde grande quantidade de radiação havia sido liberada. Essa usina tinha o nome do ditador sanguinário Vladimir Lênin, mas era mais famosa pela alcunha de Chernobyl.

A série, em 5 capítulos, é o maior sucesso da HBO, batendo a recém terminada Game of Thrones (2011), e faz todo sentido, esse episódio da história recente da humanidade, ficou, durante muitos anos, escondido na gaveta, e o resultado desse obscurantismo podemos ver na nossa vizinha Venezuela, é imperativo começarmos a discutir sobre o poder tão endeusado de um Estado sobre seu povo.

Chernobyl, dirigida pelo sueco Johan Renck, tem uma estrutura de série sensacional, é quase impossível não vê-la toda, o 1° episódio serve como aperitivo pro próximo, e assim sucessivamente, até culminar no 5° e último que deságua numa explicação de todo o horror que o mundo passou durantes os meses que se estenderam após a explosão. Talvez seja a maior proximidade que o mundo esteve da extinção, ou, ao menos, o continente europeu.

O socialismo soviético dessa época guarda muitas semelhanças com o petista brasileiro, o modus operandi de fabricar mentiras e usá-las como ganho politico, repetindo-as até criar uma verdade pela normalidade, ministros completamente despreparados para o cargo, como o próprio Vice-Presidente do Conselhos de Ministros, Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård), e uma máquina enorme usada para permanência do poder do mesmo grupo político, inclusive com a imprensa que só divulgava o que eles queriam. Imaginem que existia até um Ministro do Carvão, apadrinhado político que pouco sabia sobre o mineral.

Não é que podemos confundi-la com a verdade. O perigo real é que se ouvirmos mentiras o bastante, não reconheceremos mais a verdade. E o que poderemos fazer? O que restará além de esquecer até a esperança da verdade, e nos contentarmos em vez disso com histórias.

Um comentário:

Kamila Azevedo disse...

Infelizmente, não tenho HBO, então não posso assistir agora a "Chernobyl", mas, devido a todo o auê em torno do programa, estou muito curiosa para poder conferir.