07 novembro 2018

Bohemian Rhapsody


Bohemian Rhapsody - Bryan Singer - 2018 (Cinemas)

Numa entrevista que ficou famosa de Freddie Mercury, a global Gloria Maria lhe pergunta se a música I Want to Break Free é uma homenagem a comunidade gay, Freddie lhe responde que não, que essa música nem foi ele quem escreveu, é de John Deacon, casado e com 4 filhos. A repórter ainda insiste na pergunta e o astro responde novamente lhe provocando.

Numa das cenas do filme, os 4 Queens dão uma entrevista coletiva para o lançamento do novo álbum da banda. Os jornalistas sequer sabem disso. As perguntas giram em torno dos dentes de Freddie Mercury, seu envolvimento com drogas e álcool, e,claro, sua sexualidade.

Mercury nunca levantou bandeiras, aliás, levantou, a bandeira da música, essa coisa maravilhosa que é capaz de nos fazer eternizar seu nome e sua vida. É frustrante ver um crítico de cinema veterano, Marco Petrucelli, dizendo que o filme é mequetrefe por não explorar a homossexualidade do cantor da banda. O filme tem cerca de 2 horas e 10  minutos, e é uma condensação da vida e das músicas de Freddie, tanto que muitas delas nem uma nota sequer tem. Gostaria de saber o quanto da sexualidade de uma pessoa importa durante sua vida toda. Nem as pessoas que vivem do sexo teria tanta fixação.

Bohemian Rhapsody é, mais que uma homenagem a um artista completo, é um tributo a um cara que morreu jovem demais e que teria uma vida ainda mais produtiva nas novidades musicais. E o título já evidencia isso, escolher uma música do Queen é como preferência entre pai e mãe, mas os produtores do filme, os remanescentes da banda, mostram que Bohemian traz algo mais, essa veia criativa de Mercury de ir além das possibilidades, essência do Queen.

Apesar de caricatural nas cenas fora do palco, Rami Malek não compromete. A maquiagem e o corpo colaboram na personificação da personagem, talvez o Sacha Baron - que abandonou as filmagens por não concordar com o roteiro - de 1,91m ficaria estranho na pele de uma pessoa que tinha 1,77m.

O filme toma algumas liberdades no roteiro, ele traça a vida do músico com tudo que já é bastante conhecido do público: seu temperamento forte, e as vezes egocêntrico, seu amor por Mary Austin (love of my life), seu show no rock in rio aqui no Brasil, suas brigas e atrasos na banda derivado de seu envolvimento com drogas e álcool, sua família, a traição de seu empresário, amigo e amante, o show do Live Aid, considerado o melhor da banda, e, para desespero do estandarte Petrucelli, o filme só reserva alguns minutos sobre sua homossexualidade e seu relacionamento mais sério com Jim Hutton, mas Bohemian Rhapsody é feito para você que já chorou e se emocionou ao ouvir as batidas do Roger Taylor, os graves de John Deacon, os agudos de Brian May, e tudo isso junto na voz desse gênio chamado Farrokh Bulsara.

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