14 agosto 2018

Amistad


Amistad - Steven Spielberg - 1997

Nos deixem livres! Grita Cinque - ao som da soberba melodia principal de John Williams - se levantando com dificuldade, cheio de correntes, dos bancos dos réus onde se encontra amarrado a mais 41 conterrâneos depois de uma rebelião no barco La Amistad onde se encontravam amarrados nos porões. As pessoas que lotam o fórum ficam estupefatos. A liberdade que Cinque implora vai muito além daquelas algemas em seus pulsos e tornozelos. O seu grito ainda ecoa no século 21, quase 200 anos depois. A verdadeira liberdade se estende a verdade sufocada, ao livre pensamento, as amarras ideológicas, ela ultrapassa a barreira do corpo.

A história da humanidade, tão escrita e reescrita de acordo com a ideologia do autor, é rica em detalhes. Esse quebra-cabeças em busca da verdade deve passar pelos detalhes, o usurpador não se preocupa com eles. A escravidão é uma delas, todas as nações passaram ou ainda passam por isso. Nativos escraviza refugiados em troca de emprego, reis escravizaram súditos no Egito, religiões violentas fizeram escravos nas pacificas, e tribos inimigas escravizavam uns aos outros em troca de armas como desenha Steven Spielberg aos inúmeros jornalistas brasileiros que escravizam as mentes de seus leitores diariamente.

Colorir essa história apenas com uma cor é apagar informações essenciais para o crescimento do indivíduo. Cinque era tão forte, talvez o mais forte de sua tribo, que matou um leão que o atacou. Mesmo assim se tornou escravo, porque o poder e não outros elementos subentendidos é o responsável pela escravidão. A quem interessa não querer divulgar essa verdade? Como diria o filósofo Edmund Burke: "é um erro popular muito comum acreditar que aqueles que fazem mais barulho a lamentar-se a favor do público, sejam os mais preocupados com o seu bem-estar".

Essa história verídica, como diz a certa altura o ex-Presidente norte-americano, o republicano e abolicionista John Quincy Adams (Anthony Hopkins) nos mostra a importância das tradições, de ouvirmos nossos antepassados, e ter a compreensão de que quem somos é o que nós fomos.

2 comentários:

Kamila Azevedo disse...

Assisti "Amistad" há muito tempo. Curioso que não ficou com um filme marcado na filmografia de Spielberg, apesar da história ser muito forte. Deu vontade rever, após ler o seu texto.

Museu do Cinema disse...

Obrigado Kamila, realmente, não ficou aquela coisa do "filme de Spielberg", vc tem razão.