16 junho 2009

A Vida dos Outros

Das Leben der Anderen – Florian Henckel Von Donnersmarck – 2006 (DVD)

Um prisioneiro inocente vai ficando mais irritado e nervoso com o passar do tempo, enquanto que um culpado vai ficando mais frio e calmo, ou começa a chorar. Ele sabe que está ali por uma razão, e a melhor maneira de estabelecer uma sentença é nunca interromper o interrogatório.

O filme é dividido em duas partes. Na primeira sob a perspectiva de Wiesler (Ulrich Mühe), um investigador bastante requisitado pela Stasi, a polícia secreta da antiga Berlim Oriental. Eles tentam controlar os cidadãos colocando escutas e perseguindo supostos traidores do regime socialista. Respeitado e sério, Wiesler passa a monitorar o dramaturgo Georg Dreyman (Sebastian Koch) e sua namorada, a atriz Christa-Maria (Martina Gedeck).A segunda parte é sob a perspectiva de Dreyman, e essa mudança de panorama é o grande trunfo de A Vida dos Outros, película alemã vencedora do Oscar de 2007. É também a estréia na direção do diretor germânico Florian Henckel, que soube explorar todas as atrocidades cometidas pelo comunismo.

A Vida dos Outros é pontuado ricamente pelo dedilhado de Gabriel Yared, que recebeu uma cópia em francês do roteiro especialmente para produzir seus acordes musicais. Na cena em que Dreyman toca no piano a Sonata para um Homem Bom, Florian pediu a Yared uma composição que, em dois minutos, fizesse-nos esquecer as barbáries nazistas.

Sabe o que Lênin falou sobre Appassionata de Beethoven. “Se eu continuar ouvindo isso, eu não vou terminar a revolução”. Pode uma pessoa que ouve essa música, realmente a ouve, ser uma pessoa ruim?

7 comentários:

Otavio Almeida disse...

Belo filme! Gostei muito da atuação do Ulrich Mühe.

Abs!

Gabriel Von Borell disse...

Nunca tinha ouvido falar neste filme , parece interessante !

Abraços .

Caio disse...

Realmente está acima do que o Oscar de filme estrangeiro andou apresentando, hehe.

Ramon disse...

Magnífico!
E o trecho que você ressaltou é fantástico. Bastante inteligente.

Abs!

Museu do Cinema disse...

Vlw Ramon, esse trecho é o mais importante do filme na minha opinião.

Vinícius P. disse...

Se "A Vida dos Outros" não é um filme excepcional na maior parte, acho que tem um final brilhante e que me tocou profundamente. Ulrich Mühe deixou um excelente trabalho antes de morrer...

Aline disse...

A capacidade de um ser humano se doar ao outro sem ter nenhuma garantia de retorno é o que mais me faz gostar desse filme. O agente da Stazi não precisa verbalizar, mas entendemos claramente seu clamor por salvação. O cara estabelece uma relação com os “observados” que é delicada e transformadora. Acho que uma das cenas que mais deixa isso claro é quando ele pede que a prostituta fique mais tempo e ela diz que isso devia ter sido combinado previamente, que outro cliente a espera. É uma nítida tentativa de ter nem que seja por míseros minutos uma relação pelo menos similar com a do casal de artistas observado. Bom, poderia escrever muito mais sobre esse filme e de quanto ele me toca e de que posso já tê-lo visto várias vezes, mas que o efeito sobre mim é sempre parecido. Quem na viu que veja e sobre esse mesmo período da história alemã vejam também Adeus, Lênin. Esse com certeza já vi pelo 10 vezes e amo tanto quanto A Vida dos Outros.